uma resposta maravilhosa

O cinema distorcido

Herzog tem um apreço pelos ditados: “Os que assistem à televisão perdem o mundo, e os que lêem o ganham”

por BRIGID GRAUMAN

Nos anos 1970, o diretor de cinema alemão Werner Herzog era o favorito da contracultura, um cineasta visionário cujos pares incluíam Rainer Werner Fassbinder e Hans Jürgen Syberberg.
Mas Fassbinder está morto e Syberberg silencioso, enquanto Herzog continua firme, e seus filmes ainda atraem seguidores apaixonados.

Isso ficou evidente em uma recente sessão no Instituto Goethe, em Bruxelas, onde Herzog respondeu a perguntas depois de uma projeção.

Várias pessoas mencionaram imagens que as acompanharam durante anos -as galinhas dançando no final de “Stroszek” (1977), o trigo ondulante nas primeiras cenas de “O Enigma de Kaspar Hauser” (1974).

Pelas respostas de Herzog, esse tipo de reação emocional detalhada é não apenas aquilo de que gosta mas aquilo que espera.

Como diretor, ele diz que busca esses momentos de “verdade extática”, que têm o impacto da poesia. “É como uma iluminação, algo que fica como um eco dentro de você”, explica, usando as mãos expressivamente, mais parecendo um francês que um alemão.

Estamos num restaurante elegante de Bruxelas, um antigo açougue que se especializou em tripas e vísceras. Herzog tinha dito que queria conhecer um lugar tipicamente belga, então o que melhor para um homem que professa viver no limite?

Vísceras pareciam apropriadamente radicais. Assim como o pequeno Peugeot com que o apanhei no hotel, o restaurante compacto parece pequeno para Herzog, um homem alto e espaçoso, de olhos tristes, oblíquos.

Sapatos surrados
Ele enfia embaixo da mesa seus sapatos cinza surrados, de caminhada. Eu fizera questão de notar seu calçados antes porque Herzog é conhecido por empreender caminhadas extraordinariamente longas.

Certa vez ele foi a pé de Paris a Munique para ver uma amiga agonizante, a historiadora Lotte Eisner, uma jornada que mais tarde narrou em “Walking on Ice” [Caminhando no Gelo, 1974]. “Os ratos… Você não faz idéia de quantos ratos você vê quando caminha pelos campos”, ele diz, recordando a viagem.

Herzog tende a se afastar de seus contemporâneos, mas uma vez organizou uma retrospectiva da obra de Fassbinder.

“Fassbinder sempre estava num círculo de gays. Nós nos abraçávamos com rigidez, mas nunca fomos íntimos.”

Quando não está viajando, Herzog, que foi casado três vezes e tem três filhos, hoje vive em Los Angeles. Seu meio-irmão, Lucki, trabalha como seu produtor.

Ele se descreve como um contador de histórias e um poeta, e dirigiu mais de 50 filmes, incluindo documentários, que têm em comum uma visão do mundo ligeiramente distorcida, com poderosas paisagens povoadas por personagens movidos pela paixão, obsessão ou uma forma pessoal de integridade.

“Aguirre, a Cólera dos Deuses” (1972) é sobre uma busca fracassada por ouro na Amazônia pelos conquistadores espanhóis do século 16, liderados por Klaus Kinski, o ator que teve um relacionamento muitas vezes acidentado com Herzog durante os cinco filmes que fizeram juntos.

Criaturas extremas
Os heróis de Herzog são criaturas de extremos, como o homem inocente libertado na Alemanha do século 19 em “Kaspar Hauser”, o visionário febril que quer abrir uma ópera nas profundezas da selva sul-americana em “Fitzcarraldo” (1982) ou o ativista americano em defesa dos animais Timothy Treadwell em “O Homem Urso” (2005).

Herzog levanta sua cabeça grande e solene para explicar que não é atraído pelos excessos, mas os encontra por acaso.

Ele lembra um momento surrealista em Los Angeles, no ano passado, quando um franco-atirador o atingiu quando era entrevistado pela BBC. “A bala -de pequeno calibre, não era uma bala séria- atravessou um catálogo que estava no meu bolso, por isso não me feri gravemente”, diz.

“Todo mundo se apavorou. Eu não tive problemas.” Balançando suavemente a cabeça, diz que tem uma capacidade singular para atrair eventos violentos.

Recentemente, enquanto filmava na Antártida um documentário para a televisão, um “snowmobile” capotou em cima dele.

“Ossos fortes”, diz com satisfação por ter sobrevivido ileso. “Minha atitude sempre foi de que certos eventos não podem ser cobertos pelo seguro.”

As filmagens de Herzog são, lendariamente, acompanhadas de falhas, dramas, mortes e acidentes. Enquanto ele relata com prazer teatral uma série de anedotas sobre como as equipes de filmagens habitualmente se rebelam, Herzog claramente mostra um gosto pelo histrionismo.
Mas admite que, na realidade, a maioria das filmagens transcorre calmamente, e suas equipes o respeitam.

A biografia de Herzog tem uma certa dimensão mítica. Para começar, seu verdadeiro nome não é Herzog. Ele nasceu Werner Stipetic, 64 anos atrás, mas trocou o nome croata de sua mãe por Herzog, que significa “duque” em alemão, “como Duke Ellington. Meu nome de guerra”.
Seus filmes constituem sua “biografia de sonho”, diz.

Nos últimos 15 meses, esses sonhos envolveram trabalhar em quatro filmes, entre eles “Rescue Dawn”, a história de Dieter Dengler, um piloto americano nascido na Alemanha que foi derrubado no Laos em 1966 durante a Guerra do Vietnã.

Dengler consegue escapar, depois de ficar prisioneiro em condições terríveis.
Herzog diz que não se interessa por política, a Guerra do Vietnã ou a posição dos EUA no mundo. “Não é uma história sobre guerra, é mais uma visão de Joseph Conrad sobre as provações dos homens”, diz sobre o filme.

Dengler, que morreu em 2001, também foi o tema do documentário de 1997 de Herzog “Little Dieter Needs To Fly” [O Pequeno Dieter Precisa Voar], e é claramente um homem no estilo que agrada a Herzog.

Ambos têm forte capacidade de sobrevivência e nenhum deles teve pai: o de Dengler foi morto na Segunda Guerra Mundial, enquanto o de Herzog abandonou a família quando ele era bebê.

Pai ausente
A falta de uma figura paterna, diz com uma risada franca, foi na verdade uma bênção.
“Agradeço a Deus de joelhos por não ter tido um comandante me dando ordens.”

A ausência do pai também tem uma ressonância simbólica para um artista nascido no final da Segunda Guerra, filho de uma “geração perdida”, como diz. “Meu irmão mais velho e eu éramos “homens” aos 13 anos; poderíamos criar famílias.”

Bebericando Beaujolais, Herzog torna-se severamente crítico do que considera os traços de personalidade germânicos, embora continue sentimentalmente ligado a suas raízes bávaras.
Diz que sentiu uma intensa alegria quando o Muro de Berlim caiu, no final de 1989, mas acredita que em oito dias a população alemã tenha passado do estado de euforia para uma “cultura da reclamação”.

Esses queixosos, diz o diretor, “clamam para que o Estado os ajude” e são de uma linhagem diferente de sua mãe.

Por exemplo, quando uma bomba atingiu uma casa vizinha em Munique, em 1944, e a cama de Werner, com dois anos, se encheu de poeira, ela imediatamente levou a família para uma aldeia nos Alpes da Baviera.

Herzog diz que detestava cada segundo da escola. “Eu odiava tudo ali, meu ódio era tão profundo que chego a entender o massacre em Columbine (EUA)”, em 1999, diz com franqueza.
Herzog cresceu depressa, trabalhando à noite como soldador para financiar seu primeiro filme, em 1961, quando ainda er
a estudante.

Viajou para a África pouco depois, onde enfrentou problemas com milicianos saqueadores.
Por algum tempo quis ser esquiador profissional, até que um amigo teve um terrível acidente quando ambos estavam sós nas montanhas.

“Mas, enquanto o sonho durou, foi como voar, seis segundos no ar em que você sai de sua humanidade.” Seu filme de 1974 sobre o campeão de salto em esqui Walter Steiner transmite em parte essa sensação de liberdade.

Plantar uma árvore
Se tivesse de se identificar com alguma figura da história alemã, não seria um romântico ou um expressionista, mas o teólogo do século 15 Martinho Lutero.

Cito uma frase de Montaigne, sobre querer morrer enquanto cuidava de seu jardim, que parecia adequada para um “workaholic” como ele. Herzog a rejeita com um resmungo, dizendo que tem uma citação muito melhor de Lutero.

Quando indagado “O que você faria se o mundo desaparecesse amanhã num cataclismo?”, Lutero teria respondido: “Plantaria uma árvore”. Otimismo? “Absolutamente não.” Desafio? “Não. É só uma resposta maravilhosa.”

Herzog tem um apreço pelos ditados, que, segundo ele, nascem da longa experiência. “Os que assistem à televisão perdem o mundo”, adverte, “e os que lêem o ganham”.

O autor de viagens Bruce Chatwin [1940-89], com quem ele teve “uma amizade cautelosa, mas muito substancial”, citou Herzog com aprovação dizendo: “Turismo é pecado, caminhar é virtude” e o transformou em seu próprio lema no final da vida.

Em seu leito de morte, Chatwin deu a Herzog sua mochila de couro surrada, e agora Herzog a leva consigo em suas longas caminhadas.

Este texto foi publicado no “Financial Times”. Tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves. [FOLHA 10/6/07]

os lefebvristas agradecem

“Agora falemos da excomunhão”

CORRIERE DE LA SERA

No chalé de Menzingen, no cantão suíço de Zug, onde tem sede a casa generalícia da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, o envelope chegou há alguns dias. No envelope, o Motu Proprio Summorum Pontificum, a carta de introdução de Bento XVI e uma mensagem pessoal do Cardeal Dario Hoyos Castrillón. Destinatário, Monsenhor Bernard Fellay, superior geral daqueles que, do nome de seu Fundador, são chamados habitualmente de «lefebvristas», o agrupamento tradicionalista que contesta a pastoral e a doutrina da Igreja resultantes do Vaticano II. Com 481 sacerdotes, 90 irmãos leigos, 206 religiosas, 6 seminários, 117 priorados, 82 escolas, 6 institutos universitários, 450 locais de culto em 62 países do mundo, pelo menos meio milhão de seguidores convictos, a Fraternidade São Pio X constitui o maior espinho no flanco de Roma, a qual foi constrangida a excomungar a hierarquia episcopal consagrada de modo válido, mas ilegitimamente, por Monsenhor Marcel Lefebvre.

Depois de uma primeira leitura dos documentos vindos de Roma, Monsenhor Fellay aceitou dizer suas reações ao Corriere. Que são, seja logo dito, bem mais positivas de se podia prever para quem conheça a complexidade do dossiê aberto há decênios com a Santa Sé. Certo: a Missa não só em latim, mas conforme o antigo ritual, desde sempre foi a bandeira lefebvrista a mais notável. Mas os próprios dissidentes insistiram sempre no fato de que a nova liturgia eucarística não é senão a expressão, em muitos pontos, de uma orientação inaceitável assumida pela Igreja Católica, após o Vaticano II. Assim, em certos ambientes tradicionalistas, foi dito freqüentemente que um decreto como aquele aprovado agora pelo Papa Ratzinger não só não bastaria, mas poderia ser de algum modo desviante, reforçando os equívocos.

Não é exatamente assim, se consideramos o que nos disse Monsenhor Fellay: «Este é um dia verdadeiramente histórico. Exprimimos a Bento XVI nossa profunda gratidão. Seu documento é um dom da Graça. Não é um passo, é um salto na boa direção». Para o superior lefebvrista, a «normalização» da missa «não de São Pio V», precisa, «mas da Igreja de sempre», é «um ato de justiça, é uma ajuda sobrenatural extraordinária em um momento de grave crise eclesial». Ainda: «A reafirmação por parte do Santo Padre da continuidade do Vaticano II e da Missa nova com a Tradição constante da Igreja — portanto a negação de uma fratura que o Concílio teria introduzido com os 19 séculos precedentes — nos impele a continuar a discussão doutrinária.

Lex orandi, lex credendi: se crê como se reza. E agora é reconhecido que, na Missa de sempre, se reza “corretamente”». Em todo caso, desde hoje, um só rito, duas formas igualmente legítimas (ditas de Pio V e de Paolo VI) para exprimir uma única fé.

Para chegar a este resultado, a resistência de Mons. Lefebvre e de seus seguidores foi decisiva, desde que era Cardeal Joseph Ratzinger pensava ter um débito para com esses irmãos que exprimiam desagrados com os quais, pelo menos em parte, ele mesmo concordava. Mons. Fellay admite o papel de sua Fraternidade mas olha além: «Sim, a Providência nos permitiu ser instrumentos para incitar Roma e chegar até este dia. Mas estamos também cientes de que somos apenas o termômetro que indica uma febre que exige remédios adeqüados. Este documento é uma etapa fundamental em um percurso que agora poderá se acelerar, esperamos que com perspectivas confortantes, também na questão da excomunhão».

Nenhuma desilusão, pois? «Diria que não, mesmo se menos satisfatórios nos parecem algumas passagens da carta de introdução, na qual se notam condicionamentos de política eclesiásticas». Em todo caso, o fato é objetivo e Monsenhor Fellay e os seus estão plenamente cientes que não foram inúteis, malgrado aspectos por vezes duros e censuráveis, os quarenta anos de oposição. Nos próximos dias, a Fraternidade enviará uma carta do superior geral a todos os seus fiéis do mundo que assim principia: «O motu proprio pontifício restabelece a Missa tridentina nos seus direitos e reconhece claramente que ela jamais foi revogada. Assim,, a fidelidade a essa Missa — pela qual muitos padres e leigos foram perseguidos e punidos por muitos decênios — nunca foi uma desobediência ». A estratégia da recuperação da tradição, iniciada por João Paolo II, ainda que constrangido a fazer a excomunhão conhecida, colhe com Bento XVI um sucesso notável, na perspectiva do antigo projeto ratzingueriano de uma «reforma da reforma» e não só litúrgica. Os protestos de certos episcopados? Alguém nota que, com base em impiedosas projeções, dentro de vinte anos, pelo menos um terço das dioceses do Ocidente — incluindo a França, que é o país que mais desaprova a iniciativa papal — deverà ser completamente supresso por falta de clero. Difícil, portanto, para Bispos com forças reduzidas às últimas, falar com voz grossa contra os «lefebvristas» que, ao contrário, gozam de um fluxo ininterrupto de vocações. A própria diocese de Paris tem agora um número de sacerdotes diocesanos (com uma idade média bastante avançada e freqüentemente desanimados) pouco superior a aquele dos antipáticos «tradicionalistas», cujos padres são na maioria jovens, fortemente determinados, forjados no estudo e à disciplina dos seminários de rigor implacável. [Fonte: “Os lefebvristas agradecem a Ratzinger: ´Agora falemos da excomunhão`” in Corriere de la Sera. Trad.: MONTFORT Associação Cultural 11/7/07 – 11h56]

desastre consentido

por CLÓVIS ROSSI

SÃO PAULO – O editorial do “New York Times” que pede a retirada das tropas norte-americanas do Iraque tende a ser um divisor de águas, que poderia ser resumido assim: “Até aqui, chegamos. Agora é hora de rever tudo”.

Pena que o editorial não fecha. Ao pedir uma retirada “ordeira”, está pedindo o impossível. Só haveria chance de uma retirada organizada se os EUA conseguissem pôr para funcionar o Estado iraquiano ou, no mínimo, suas forças de segurança, hipóteses que o editorial descarta.

O que choca no desastre iraquiano, entre tantas coisas, é o fato de ele ter sido promovido por uma democracia. A aventura iraquiana e todas as mentiras contadas para justificá-las são coisas de ditaduras primitivas. Lembra, ainda que remotamente, a aventura da ditadura argentina nas Malvinas.

Agora, é fácil jogar nas costas do presidente George Walker Bush toda a responsabilidade. Ele a tem, como é óbvio, mas a sociedade norte-americana comportou-se, no pós 11 de Setembro, da mesma maneira bovina que é comum no Brasil.

Aceitou acriticamente mentiras, tergiversações, falta de planejamento, aceitou até arranhões graves nas liberdades civis e no tratamento de prisioneiros (Guantánamo é uma aberração que, de novo, só parecia possível nas piores ditaduras). Mais que aceitar, referendou tudo ao dar a George Walker Bush um segundo mandato faz apenas dois anos e meio, quando todos os problemas no Iraque já estavam presentes, ainda que a escala pudesse ser diferente.

Entre parênteses, é bom anotar como os tempos se encurtaram no mudo contemporâneo. Em menos de dois anos, passa-se da glória da reeleição ao inferno da rejeição.
Pior, para os EUA: não está à vista candidato para 2008 que tenha antecipado pelo menos parte dos problemas agora evidentes nem que tenha um plano alternativo com começo, meio e fim. [FOLHA 10/7/07]

a “única de Cristo”

O Vaticano publicou nesta terça-feira documento afirmando que a Igreja Católica é, sempre foi e será a única igreja de Cristo.

Com o título Repostas a questões relativas a alguns aspectos da doutrina sobre a Igreja, o texto da Santa Sé procura esclarecer o que considera como “interpretações desviantes e em descontinuidade com a doutrina católica tradicional sobre a natureza da igreja”, que ocorreram depois da publicação do documento Iumem Gentium (“A luz das nações”), do Concílio Vaticano 2º (1962-1965), dizendo que a única Igreja de Cristo “subsiste” na Igreja Católica.

“Cristo constituiu sobre a terra uma única Igreja e instituiu-a como grupo visível e comunidade espiritual, que desde a sua origem e no curso da história sempre existe e existirá”, diz o texto. “Esta Igreja, como sociedade constituída e organizada neste mundo, subsiste na Igreja Católica, governada pelo sucessor de Pedro e pelos bispos em comunhão com ele.” A nova publicação assinada pela Congregação para a Doutrina da Fé, responsável por promover e tutelar a doutrina da fé e a moral no mundo católico, diz que “com a palavra ‘subsistir’ o Concílio queria exprimir a singularidade e não a multiplicabilidade da Igreja de Cristo: a Igreja existe como único sujeito na realidade histórica”.

“Contrariamente a tantas interpretações sem fundamento, não significa que a Igreja Católica abandone a convicção de ser a única verdadeira Igreja de Cristo, mas simplesmente significa uma maior abertura à particular exigência do ecumenismo de reconhecer o caráter e dimensão realmente eclesiais das comunidades cristãs não em plena comunhão com a Igreja Católica”, diz o documento.

O tema já foi desmentido em inúmeras ocasiões pelos papas que comandaram o Vaticano antes de Bento 16. Entre elas, em 1973, com a declaração Mysterium Ecclesiae de Paulo 6º e, em 2000, com a Dominus Iesus, aprovada por João Paulo 2º.

No texto publicado nesta terça-feira pelo Vaticano é lembrada também a notificação de 1985 da Congregação para a Doutrina da Fé sobre os escritos do teólogo Leonardo Boff, segundo o qual a única Igreja de Cristo “pode também subsistir noutras igrejas cristãs”.

Naquela ocasião, a Congregação puniu o brasileiro pelo que considerou um equívoco e disse que o Concílio adotou a palavra subsiste, precisamente para esclarecer que existe uma só “subsistência” da verdadeira Igreja. Outras considerações importantes do documento devem gerar novos protestos das outras igrejas cristãs, como ocorreram anteriormente, principalmente a afirmação de que somente a Igreja Católica dispõe de todos os meios de salvação e de que, fora dela, existem apenas “comunidades eclesiais”.

“Embora estas claras afirmações tenham criado mal-estar nas comunidades interessadas e também no campo católico, não se vê, por outro lado, como se possa atribuir a essas comunidades o título de Igreja, uma vez que não aceitam o conceito teológico de Igreja no sentido católico e faltam-lhes elementos considerados eclesiais pela Igreja Católica”, diz o texto.

Segundo o vaticanista Andrea Tornielli, o objetivo da nova declaração é combater o que o papa Bento 16 considera como ‘relativismo eclesiológico’, segundo o qual todas as igrejas que dizem fazer parte do cristianismo têm o mesmo nível de verdade ou que cada uma delas não têm mais que uma parte desta verdade.

A divulgação do documento ocorre três dias depois de o papa Bento 16 ter assinado decreto que dá mais liberdade para os sacerdotes celebrarem missas em latim, uma concessão aos tradicionalistas.

Em uma carta aos bispos de todo o mundo, no último sábado, o pontífice rejeitou as críticas de que sua atitude poderia dividir os católicos.

No entanto, o documento gerou mal-estar e, segundo especialistas, poderá ameaçar também o diálogo entre cristãos e judeus. [BBC Brasil 10/7/07 – 08h21]

orbo

Empresa anuncia invenção de moto-contínuo

DUBLIN – A empresa irlandesa Steorn apresentou nesta quarta-feira uma tecnologia chamada Orbo, que, de acordo com a companhia, é um moto-contínuo, considerado até agora uma utopia. A Steorn diz que o aparelho constantemente produz a energia que consome, de acordo com o site siliconrepublic.com

Sean McCarthy, presidente da Steorn diz que a invenção vai mudar o rumo da história. “A lei da conservação da energia tem sido seguida por 300 anos, entretanto, falta uma variável na equação, que é o tempo”, declarou McCarthy ao site.

De acordo com a explicação de McCarthy, a tecnologia criada pela empresa funciona com o preceito de que eventos em campo magnético não acontecem instantaneamente e portanto não são sujeitos ao tempo da mesma forma que a gravidade é, por exemplo.

Esta variação no tempo permite que o Orbo gere constantemente força, contrariando a lei da conservação de energia que diz que energia não pode ser criada ou destruída. “Esta é uma das maiores afirmações que se pode fazer no mundo da tecnologia e ciência”, diz McCarthy.

“Se eu estivesse vendo esta história a distância há cinco anos, diria que é uma bobagem completa. E afirmo que não temos dúvida alguma que isto funciona”, completou.

Desde ano passado, quando a empresa anunciou publicamente a invenção do Orbo, seus cientistas têm testado rigorosamente o aparelho. Muitos não acreditam na veracidade do invento, que será analisado por 22 cientistas escolhidos pela Steorn, gerando muita suspeita.

A partir do dia 4 de julho, o Orbo estará em exposição em Londres e ficará por dias 10 funcionando sem parar. O aparelho é coberto por um plástico transparente, permitindo que qualquer um inspecione por uma bateria escondida.

Quatro webcams mostram o aparelho a partir das 19h, horário de Brasília, no endereço www.steorn.com/orbo/demo. [Jornal do Brasil Online 4/7/07 21h59]