Vida Embrionária

1) O embrião é um ser vivo?
Sim, é.
1.1) Por quê?
Porque a) se deixado no útero da mãe, onde se implanta por volta do sexto dia depois da fecundação do óvulo pelo espermatozóide, ele se desenvolverá de modo espontâneo e ordenado até nascer.
E porque b) quando o embrião morre, dá-se o aborto espontâneo, pelo qual o corpo da mãe, por meio dos mecanismos de defesa natural, expele o cadáver em decomposição.
2) Embriões são seres vivos somente quando estão no corpo materno?
Não.
2.1) Por quê?
Porque a) os embriões podem sobreviver e desenvolver-se em ambientes artificiais, que reproduzem as condições (bioquímicas, de temperatura etc.) do útero materno, até estarem maduros para ser implantados num útero, onde então se desenvolverão naturalmente até o nascimento.
E porque b) na falta de uma das pré-condições necessárias, o embrião morre, parando por conseguinte de desenvolver-se.
Fato 1: Embriões congelados por muito tempo (há casos de 6 anos ou mais) foram descongelados, implantados num útero, desenvolveram-se e nasceram normalmente.
Fato 2: Embriões congelados são legalmente adotáveis.
3) Embriões são seres humanos?
Sim, são.
3.1) Por quê?
Porque 1) são seres vivos (ver acima) e 2) desenvolvem-se naturalmente, passando pelo estágio fetal (por volta da oitava semana), até o nascimento, ou seja, um embrião humano dá nascimento a um ser humano.
4) O aborto é uma ação ética?
Em geral, não. Em casos excepcionais, sim.
4.1) Por quê?
Porque eliminar uma vida humana inocente é anti-ético. O aborto só é ético no caso de resultar de uma ação praticada com vistas à salvação da mãe.
5) Não é ético eliminar uma vida humana inocente mesmo quando esta ainda não tem capacidade de ter sensações, portanto, nem tem consciência nem sofre?
a) Esta pergunta parece incorrer em petição de princípio, pois a vida humana em questão é inocente justamente porque ainda não é uma pessoa autoconsciente e responsável.
b) Por outro lado, se a inconsciência e a incapacidade de ter sensações justificam a eliminação de uma vida, então mesmo pessoas adultas, que perderam a consciência e a sensibilidade por motivo de doença ou num acidente, também poderiam ser eliminadas.
c) A vida embrionária, como o próprio nome diz, não possui consciência e sensibilidade em ato, mas em potência sim. Caso contrário, essas propriedades teriam de ser-lhe acrescentadas de fora, por outro ser, o que não ocorre: o embrião apenas desenvolve, num ambiente propício e mediante a nutrição necessária, as potencialidades que lhe são inerentes.

Religião e Poder

http://www.unisinos.br/_ihu/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=9408

‘A religião hoje é novamente um fator de poder na história mundial’. Entrevista com Hans Küng

Os cristãos fundamentalistas que seguem literalmente a Bíblia e dizem que não precisam das outras religiões, mas também as pessoas muito secularizadas, dogmáticos do laicismo são um entrave para o diálogo entre as religiões. A opinião é do teólogo católico e crítico da Igreja, Hans Küng. O teólogo em entrevista ao sítio dw-world.de, 11-09-2007, combate a visão equivocada que se tem do islamismo e lamenta o discurso de Regensburg de Bento XVI. Hans Küng é o fundador do projeto Por uma Ética Global– a idéia de que as religiões podem contribuir para difundir a paz pelo planeta.

O teólogo Hans Küng estará na Unisinos, no próximo mês – dia 22 de outubro de 2007 -, discutindo o Projeto de uma ética global. Nos dias subseqüentes ele estará em Porto Alegre – Goethe-Institut; Curitiba – Universidade Federal do Paraná (UFPR); Brasília – Universidade Católica de Brasília (UCB); Rio de Janeiro – Universidade Cândido Mendes e Juiz de Fora – Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

A preparação da vinda de Küng ao Brasil pode ser acompanhada através do Fórum On-line sobre o Projeto de Ética Global de Hans Küng.

Eis a entrevista.

Temas religiosos novamente despertam um enorme interesse das pessoas, não só na Alemanha. Pode-se falar de um retorno das religiões?

Retorno das religiões – isso é uma expressão ambivalente. A religião nunca havia sumido. Como a música, a religião é algo que permanece, mesmo que por um certo tempo seja suplantada. É certo que, desde o ressurgimento do islã, desde a fundação da República Islâmica do Irã em 1979, os europeus se conscientizaram de que não determinam o mundo sozinhos. Durante muito tempo, a Europa secularizada não percebeu que é um caso especial e que a religião em outros lugares é um poder.

“Não haverá paz entre as nações sem paz entre as religiões! Não haverá paz entre as religiões sem diálogo entre as religiões”. Essas são duas frases centrais o princípio do etos mundial, elaborado pelo senhor. Na era da globalização, há possibilidades inimagináveis de comunicação via internet. Esse desenvolvimento pode melhorar o diálogo entre as religiões?

Em princípio, eu diria que sim, mesmo que isso implique uma série de problemas. É positivo que hoje possamos estar bem informados sobre outras religiões. Uma outra questão naturalmente é se se pretende estar informado. Há pessoas que não o querem, que já sabem tudo antes, sem que tenham estudado o islã.

Quem não quer saber isso?

Por um lado, são os cristãos fundamentalistas, que seguem literalmente a Bíblia e dizem que não precisam das outras religiões. Mas podem ser também pessoas muito secularizadas, dogmáticos do laicismo. Estes já coram quando simplesmente se fala a palavra religião, e acham que sobre isso não se precisa falar na escola. Eles têm dificuldade com o fato de que a religião novamente representa um fator de poder na história mundial.

De acordo com uma pesquisa representativa, o cristianismo não é mais a religião mais simpática aos alemães e, sim, o budismo. Como o senhor interpreta isso?

O budismo é visto no Ocidente como uma religião livre de dogmas, sem muitas prescrições. Trata-se de uma religião voltada para dentro, que dá importância à meditação, que não tem uma imagem demasiado antropomorfa, concreta, da última realidade. O outro fato é que o cristianismo, com sua concentração de poder, irrita muita gente. Quando temos um papa que aparece o tempo todo, que, como senhor espiritual do mundo, tem a pretensão de que só quem está com ele é um cristão verdadeiro, que somente sua Igreja Católica Romana é a verdadeira igreja, então isso irrita muitas pessoas. E, mesmo que não protestem publicamente, elas se afastam e dizem que não querem ter nada a ver com isso.

Voltemos ao islã. Na pergunta sobre a “religião mais pacífica”, o budismo lidera com 43% contra 41% do cristianismo. O islã fica com apenas 11% nesse ranking. O islã é uma imagem do inimigo no Ocidente?

Sim, o islã representa sem dúvida uma imagem do inimigo no Ocidente, visto que o Ocidente só se concentra em determinados pontos do islã. Isso já vale para a história. Os europeus o vêem sob o ponto de vista do avanço do islã do norte da África até a Espanha entre os séculos 8º e 15 e do domínio otomano nos Bálcãs. Mas não se vê nesse contexto que os cristãos não só realizaram as cruzadas, como também colonizaram todo o mundo islâmico, do Marrocos até as ilhas da Indonésia, no século 19.

Daí surgem tensões, muitas das quais o Ocidente não resolveu até hoje. Isso vale sobretudo para as relações entre os palestinos e Israel. Se tivesse sido feito um acordo de paz após a Guerra dos Seis Dias, em 1967, nunca teria surgido um Bin Laden, nem teriam ocorrido os ataques ao World Trade Center em 2001. Em vez disso, propagou-se a sensação de que os ocidentais se fixam inclusive na santa Arábia, se instalam no Afeganistão, avançam em todo lugar, de modo que se formam resistências. Obviamente temos de condenar homens-bomba e atentados. Mas é preciso refletir por que tantos jovens estão tão desesperados a ponto de se colocarem à disposição para tais atentados.

A Igreja Católica poderia contribuir mais para a solução desses conflitos e para o diálogo entre as religiões?

É preciso dizer que João Paulo II rejeitou claramente a guerra no Iraque, como também o fizeram o patriarca de Moscou, o arcebisto de Canterbury, o Conselho Mundial das Igrejas e o Conselho das Igrejas Norte-Americanas. Não é mais tão fácil entusiasmar as Igrejas para a guerra como era antigamente. Obviamente poderia ser feito mais, sobretudo em termos de esclarecimento. Se o papa quis classificar o islã como religião violenta, em seu discurso em Regensburg, então ele mesmo notou que esse é o caminho errado. É preciso pensar nos rastros de sangue que os cristãos deixaram na história. Daí se será modesto e não se dirá, “nós temos a religião do amor e eles uma religião do ódio”. Também a maioria dos muçulmanos no Egito, no Marrocos e no Afeganistão ou Paquistão quer paz, como eu e você.

O senhor acredita que o papa vê o discurso que fez em Regensburg como um erro? Não se tem necessariamente a impressão de que ele tenha se distanciado claramente do que disse.

Ele notou sim que foi um erro e teve de engolir muita crítica. Ele corrigiu seu discurso diversas vezes. Naturalmente é muito difícil para os romanos, e também para o bispo de Roma, o papa, admitir um erro. Quando se tem uma ideologia da infalibilidade também se comete erros infalíveis, que naturalmente não se pode corrigir. Mas foi evidente que o papa, em sua viagem à Turquia, fez um grande esforço para apagar a má imagem que obteve com o discurso de Regensburg.

Mesmo que o islã na Europa seja visto com ceticismo, mundialmente ele tem uma grande atratividade para muitas pessoas, principalmente para os jovens. Há 1,3 bilhão de muçulmanos e a tendência é que esse número aumente. De Rabat (capital do Marrocos) a Damasco há grupos políticos islâmicos que se tornam cada vez mais fortes. A que se deve isso? Os motivos são religiosos ou sociais?

Ambos. São grupos religiosos que se empenham pelas pessoas. Muitos muçulmanos nesses países têm a sensação de que as elites governantes têm uma vida própria e pouco se importam com o povo. Os grupos fundamentalistas islâmicos – ou como se queira chamá-los – se esforçam muito para fazer algo pelas pessoas. Eles providenciam escolas e educação, dão roupa e alimentação.

Por que o Hamas venceu as eleições? Porque ele se empenhou pelas pessoas. Uma das maiores tolices da política ocidental – aliás, corroborada pela política alem㠖 foi não reconhecer essas eleições democráticas. Em vez disso, se adverte: vocês precisam reconhecer Israel! Diga isso a pessoas que há décadas são terrorizadas por uma potência de ocupação. Não é dessa forma que se resolvem problemas. Deve-se reconhecer que há partidos que, sob determinadas circunstâncias, têm o islã como base, mas se empenham pelas pessoas.

Um exemplo melhor é o partido do primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, na Turquia. Por que eles venceram? Porque eles se empenharam pelas pessoas. Apesar de todas as fraquezas que eles têm, mostraram que conseguiram avanços enormes para o país e de forma alguma criaram um Estado islâmico como o Irã. Eles querem uma democracia, mas também não querem degradar o islã unicamente à esfera pessoal, como aconteceu sob [Mustafá Kemal] Atatürk, fundador do país.

O senhor certa vez classificou a Turquia como “laboratório da democracia”. É possível conciliar fé, religião com democracia?

A religião pode conviver com a democracia. Os principais arquitetos da unificação européia, de Charles de Gaulle e Konrad Adenauer a Robert Schuman e Alcide de Gasperi, eram cristãos praticantes. O fato de o islã no momento ter mais problemas com a democracia do que com o cristianismo, se deve a que, no islã, ao contrário do que ocorreu no cristianismo e no judaísmo, não houve reforma e iluminismo – à exceção de alguns círculos. Quem pretende ajudar ali precisa apoiar as forças moderadas e isolar os radicais. A maior tolice é enfrentar essa gente com exércitos. Isso é tão estúpido quanto seria enfrentar a máfia com aviões de combate.

Até que ponto deveria ir então a disposição para negociar com as forças radicais? Seria necessário negociar também com o Talibã e a Al Qaeda?

Com a Al Qaeda você não pode negociar. Isso é uma organização terrorista secreta, que só se pode exaurir. Mas o Ocidente os regou tanto que eles puderam brotar. Os serviços secretos norte-americanos admitiram recentemente, em documentos sigilosos, que a guerra no Iraque ajudou a Al Qaeda. Antes não havia Al Qaeda no Iraque. Com o Talibã, com certeza, se poderia negociar. Eles não são todos loucos. Também lá há extremistas, mas, por outro lado, há entre eles os que advertiram a administração Bush para o 11 de Setembro. Não se levou isso a sério. Houve líderes de clãs no Afeganistão que advertiram contra uma intervenção militar no país.

Para concluir, uma pergunta pessoal: no dia 12 de setembro, o senhor apresenta a sua autobiografia Umstrittene Wahrheit (Verdade Controversa). Fazendo um balanço do seu trabalho sobre etos mundial, o senhor ainda o vê com tanto otimismo como em 1990, quando escreveu o livro sobre o assunto?

Quando escrevi o livro em 1990 tinha-se naturalmente a esperança de que futuramente não se resolveriam problemas com meios militares, agressões, inimizades e guerra e, sim, através da compreensão mútua, da cooperação e da integração – como havia ocorrido no Leste e no oeste da Europa. Isso lamentavelmente foi transtornado pela política desvairada iniciada pela segunda administração Bush, com a ajuda de uma clique de intelectuais judeus ultraconservadores, os assim chamados neocons, e fundamentalistas protestantes.

Não sou inimigo e, sim, um amigo dos americanos. Espero que, apesar desse retrocesso resultante da política de Bush Jr., na América se lembre da grande tradição democrática do país e se tente ser potência líder no sentido da compreensão, da moderação e da paz mundial.

Doeu-lhe o fato de o papa Bento 16 não ter aceito sua idéia do etos mundial?

Em princípio, ele aceitou a idéia. Ele também entende que é preciso haver padrões éticos comuns. Ele admitiu na conversa comigo que estes padrões devem valer na mesma medida tanto para crentes quanto para não-crentes. Era de se esperar que ele pessoalmente encampasse de forma clara essa idéia. Mas, o que ainda não ocorreu, talvez ainda possa acontecer.

cyber-samizdat

por JAIME NUBIOLA
Un joven profesor venezolano me escribía esta semana preguntándome qué hacer ante el atropello de la libertad de expresión que significa el cierre de Radio Caracas Televisión, el canal de mayor cobertura de Venezuela, por parte del gobierno de Chávez. Copio de su carta: “En nuestra Universidad llevamos más de tres días sin actividades. Ayer yo mismo acompañé a cientos de estudiantes a una gran manifestación fuertemente repelida por la policía. Como es común por el trópico en estas fechas, a mitad de tarde, cayó una fuerte tromba de agua. Ni aun así los jóvenes abandonaron su protesta. Empapado bajo la lluvia, observando gritos y pitos a mi alrededor, se me ocurrió preguntar tu opinión sobre este tema de la libertad de expresión”.

Me emocionó aquel mensaje. Por una parte, trajo a mi memoria las algaradas estudiantiles de principios de los años setenta en nuestro país cuando millares de universitarios salíamos a la calle gritando románticamente “libertad, libertad” y éramos reprimidos por “los grises” como entonces llamábamos a los policías nacionales. Pero, por otra parte, vino también a mi recuerdo un poema de Heberto Padilla, preso entonces en las cárceles de Fidel Castro, que leí por aquellos años: “Di la verdad. / Di, al menos, tu verdad. / Y después / deja que cualquier cosa ocurra: / que te rompan la página querida, / que te tumben a pedradas la puerta”. Aprendí de memoria aquellos versos y desde entonces los he evocado siempre que alguien me urgía a pasar a la acción ante la gravedad de una situación política concreta.

La primera reacción ante unos gobernantes que reprimen la libertad es la de los estudiantes que interrumpen sus clases y se manifiestan más o menos estruendosamente creyendo con ingenuidad que así están haciendo la verdadera revolución o poniendo en dificultades al gobierno. No suele ser así: las manifestaciones estudiantiles pueden ser utilizadas incluso como una muestra de la libertad y el pluralismo existente en una sociedad. Cuando los estudiantes plantean de verdad dificultades son reprimidos brutalmente: basta recordar las matanzas de estudiantes en la plaza de las Tres Culturas en Tlatelolco (México, 1968) o en la de Tiananmen, (Beijing, 1989). Confiemos en que nada así llegue a ocurrir en Caracas.

Un poder dictatorial, más aún si tiene el respaldo de las urnas, tiende a ocupar todos los espacios de la sociedad y a machacar todos los síntomas de resistencia y de disentimiento. Es del todo estéril luchar de frente: sólo atrae más represión. Lo realmente inteligente es seguir pensando, estudiando, hablando y escribiendo. Se trata de resistir poniéndose a trabajar más, con más imaginación, a través de formas nuevas y nuevos cauces. Eso es lo realmente subversivo.

Quizá es fácil dar consejos estando lejos del lugar de los hechos, pero no podía rehuir la petición de ayuda. Por este motivo he contestado a mi amigo en esta dirección: defienda la libertad con su trabajo, con su pluma, con su conversación. Reúnase con sus colegas, con sus amigos, hablen entre ustedes, escúchense unos a otros. No luchen de frente contra el poder. No pierdan el tiempo en algaradas estériles. Procuren no perder ni un día más de clase, abran blogs, en los que con expresiones que nunca puedan perjudicarles intenten hacer llegar a un ámbito más amplio sus preocupaciones, sus problemas e inquietudes.

Ya se ha olvidado la cultura del samizdat. En los años más severos de la represión estalinista florecía en la Unión Soviética la comunicación underground mediante textos a mano o mecanografiados en los que circulaban las ideas al margen de la literatura oficial. Ahora en la época de internet esto puede ser mucho más sencillo a través del correo electrónico o de los blogs en dominios en otros países, pero sabiendo que esos textos podrán ser leídos también por los enemigos de la libertad.

Como mejor se defiende la libertad de expresión es pensando, estudiando, escribiendo, conversando unos con otros. Lo peligroso para los autoritarios es que los universitarios pensemos por nuestra cuenta, estudiemos con tesón y, por tanto, hablemos con libertad. No temen las manifestaciones por multitudinarias que sean, sino que temen la libertad que se expresa en la vida intelectual. Los universitarios somos los enamorados de la razón. Vuestra conversación inteligente y afectuosa -terminaba mi respuesta- les mostrará que ni tuvieron buenas razones para cerrar la cadena de televisión ni tienen razón alguna al reprimir la libertad. Vuestro trabajo, si es bueno y no se deja llevar por el odio, será quizá lo que haga sentirse orgullosos de su patria a muchos venezolanos de la generaciones venideras. [La Gaceta de los Negocios 6/6/07]

o grande olho

por DEMÉTRIO MAGNOLI

CENSURAR, vigiar e punir: é isso que fazem algumas grandes corporações de tecnologia da informação. A Google firmou um acordo com o governo da China para oferecer, em chinês, uma versão do seu instrumento de busca dotada de parâmetros de exclusão de documentos “sensíveis”. Nessa versão, pesquisas sobre termos associados ao massacre da praça da Paz Celestial não retornam resultados relevantes, enquanto uma busca pela seita Falun Gong conduz apenas a textos de violenta condenação.

A Yahoo estabeleceu uma parceria mais perigosa. Há um ano, a empresa entregou ao governo chinês mensagens eletrônicas pessoais do jornalista Shi Tao, que sustentaram o processo judicial pelo qual foi sentenciado a dez anos de prisão, por “crime” de opinião. Não foi um caso isolado: em 2003, usando informações fornecidas pela empresa, um tribunal sentenciou o ex-funcionário público Li Zhi a oito anos de cadeia pelo mesmo “crime”. A Google censura, atuando como anexo do ministério chinês das comunicações. A Yahoo funciona como lacaia da polícia política, auxiliando a vigiar e a punir.

A Microsoft não liga para Estados: faz as próprias leis. Os computadores pessoais no Brasil começaram a receber uma atualização automática do Windows que instala um programa capaz de identificar o registro do sistema operacional, o modelo do computador e o número do disco rígido. O programa espião informa à empresa o resultado da investigação. Caso o Windows seja pirata, o usuário é convidado a adquirir um sistema legal. A atualização automática é instalada com o “consentimento” do usuário, ao qual é apresentado um alerta, escrito na novilíngua da informática. Alegadamente, não são colhidos outros dados. Mas, em tese, não há obstáculo técnico para que o exército de gnus de Bill Gates descubra a configuração do hardware, a lista de softwares instalados, o endereço de IP, os padrões habituais de navegação na internet e o conteúdo de documentos gravados no disco rígido.

A captura dessas informações, em larga escala, tem valor incalculável para orientar estratégias empresariais. A posse de informações individualizadas, por outro lado, confere poderes quase ilimitados no terreno da chantagem política e comercial. O sistema operacional é a infra-estrutura básica da “sociedade em rede”. O monopólio do Windows implica o pagamento global de tributos compulsórios ao império de Gates. A partir de agora, significa também a renúncia geral ao direito à privacidade e a substituição dos juízes que regulam os processos de investigação, busca e apreensão pela espionagem e coleta eletrônica de informações.

pensar para vivir en paz

por Jaime Nubiola*

Hace unos pocos meses el filósofo y conocido escritor Umberto Eco recordaba, al recibir el doctorado honoris causa por la Universidad Hebrea de Jerusalén, que en el trasiego del mundo actual las universidades son de los pocos lugares en los que es posible la comparación racional entre las diversas visiones del mundo. Esto es así porque en las universidades no sólo hay el silencio del estudio, sino también el diálogo de la contrastación de pareceres. “Nosotros -decía Eco-, la gente de la universidad, estamos llamados a librar, sin armas letales, una infinita batalla por el progreso del saber y de la compasión humana.” Me parece que esta doble invitación a los profesores universitarios, a aquellos que hemos dedicado nuestra vida a buscar la verdad y a enseñar esa búsqueda a otros, tiene una extraordinaria importancia. No sólo es misión nuestra el crecimiento del saber, sino también el ensanchamiento de la compasión humana. Nos encontramos en una sociedad que vive en una amalgama imposible de un supuesto undamentalismo cientista acerca de los hechos y de un escepticismo generalizado acerca de los valores. Se trata de una mezcolanza de una ingenua confianza en la Ciencia con mayúscula y de aquel relativismo perspectivista que expresó tan bien el poeta Campoamor con su “nada hay verdad ni mentira; todo es según el color del cristal con que se mira”. Tal división entre ciencia y ética, que asigna la verdad a la ciencia y a sus enunciados y la simple opinión a las valoraciones y a las cuestiones vitalmente más importantes, resulta a comienzos de este nuevo siglo del todo insoportable. Los seres humanos anhelamos una integración razonable de las diversas facetas de nuestra vida, una articulación de nuestra reflexión teórica con nuestra experiencia, del pensamiento con la vida.

En este nuevo siglo la misión que compete a quienes se dedican a la universidad, y muy en particular a la filosofía, es, con seguridad, la de tratar de suturar las brechas que el positivismo todavía dominante ha causado en la comprensión que los seres humanos tenemos de nosotros mismos. El formidable desarrollo de las ciencias y la tecnología en los últimos siglos muestra de modo fehaciente la humana capacidad de progresar en la comprensión de los problemas y en la identificación de los medios para afrontarlos con éxito. Sin embargo, es preciso tener en cuenta que el desarrollo efectivo de las ciencias no lleva al acabamiento de los problemas mediante su definitiva solución, sino que más bien, por el contrario, en muchos campos conduce a la detección de nuevos problemas todavía más difíciles o más profundos que hasta ahora habían sido pasados por alto. En este sentido puede decirse que, conforme crece el saber, lo que sobre todo aumenta es el no saber, esto es, nuestra conciencia de las muchas cosas que todavía no sabemos ni entendemos.

Resulta a veces muy luminosa la distinción de Gabriel Marcel entre misterios y problemas. Mientras que los problemas son las cuestiones para las que contamos con medios intelectuales para abordarlas e incluso a veces solucionarlas, los misterios son aquellas otras grandes cuestiones que afectan a las vidas humanas (la muerte, el mal, el sentido del dolor) que no pueden ser solucionadas o domesticadas por las ciencias. Sin embargo, muchas de las cuestiones éticas y sociales no han de quedar sustraídas a la razón humana para ser transferidas a instancias religiosas o a otras autoridades. La aplicación de la inteligencia a los problemas morales es en sí misma -como ha escrito el filósofo de Harvard Hilary Putnam- una obligación moral. De la misma manera que el trabajo cooperativo de los científicos a lo largo de sucesivas generaciones ha logrado un formidable dominio de las fuerzas de la naturaleza, un escubrimiento de sus leyes básicas y un prodigioso desarrollo tecnológico, cabe esperar que la aplicación de la razón humana a las cuestiones éticas y sociales producirá resultados semejantes.

Frente al diagnóstico de los postmodernos que abogan por la disolución de la filosofía en la literatura y frente al fundacionalismo cientista de los herederos del Círculo de Viena, el reciente resurgimiento del pragmatismo en filosofía es un camino intermedio, con pretensiones quizá más modestas, pero que por estar anclado en la experiencia aspira a afrontar mejor el reto de dar razón del efectivo crecimiento histórico de la verdad. Se trata de un enfoque esencialmente operativo y práctico, heredero de la tradición aristotélica y de los mejores resultados de la teorización contemporánea acerca de la investigación científica, que concibe la verdad como aquello que los seres humanos -tanto los científicos y los filósofos como los ciudadanos de a pie- primordialmente anhelamos y buscamos.

Adoptar esta perspectiva significa destacar que la búsqueda de la verdad no es un problema “teórico”, sino que se trata más bien de una cuestión genuinamente práctica que a todos afecta. Como ha escrito Alejandro Llano, “la filosofía no siempre había concedido a la verdad práctica la atención que merece. Pero sólo es viable rehabilitarla cuando no se extrapola. Porque cuando el valor de la praxis humana se absolutiza, el valor de la verdad se disuelve”. Absolutizar el valor de la praxis sería pensar que la verdad es meramente algo fabricado por los seres humanos y en ese sentido, algo arbitrario, relativo y por tanto, a fin de cuentas, de escaso valor. Lo que quiero afirmar, en cambio, es que las verdades se descubren y se forjan en el seno de nuestras prácticas comunicativas; que la verdad -como dejó escrito Platón en el Fedón- se busca en comunidad. Destacar la dimensión comunitaria de la búsqueda de la verdad acentúa el carácter social y público de la verdad, esto es, su objetividad, que trasciende las perspectivas subjetivas, localistas y particularizadas. El desarrollo tecnológico, los libros, las ciencias, las artes, la filosofía, las discusiones que impregnan de modo generalizado nuestro vivir no dejan lugar al escepticismo. El reconocimiento de que las divisiones entre los seres humanos singulares -y entre los pueblos-en gran medida son consecuencia de que cada uno está convencido de poseer en exclusiva la verdad, ayuda a entrever las vías para regenerar los espacios comunicativos. Se trata de articular enriquecedoramente lo nuevo con lo antiguo, de aunar unas generaciones con otras, de tender -como ha escrito Richard Rorty- puentes nuevos entre las tradiciones, las culturas y los saberes. Para ello es preciso llegar a forjar nuevas relaciones de comunicación entre las personas basadas en el amor a la verdad, en el respeto al pluralismo y en la aceptación de las limitaciones personales, las de cada uno y las de la propia colectividad, pero aunadas esas personas por una común convicción acerca del extraordinario valor creativo de su efectiva cooperación: ¡pensemos entre todos para poder vivir en paz! [*Prof. de Filosofia da Universidade de Navarra. Fonte: La Gaceta de los Negocios (Madrid), 22/11/03]