Computer Chess

Esse é o título de filme dirigido por Andrew Bujalwski, com baixo orçamento e câmera antiga (para criar um clima vintage), cujo tema é a “singularidade”, isto é, a consciência artificial (note: consciência é mais que inteligência; é como se a máquina possuísse um ego). O argumento do filme é simples: assim como, atualmente, os humanos não temos mais nenhuma chance de vencer o computador no xadrez, no futuro também não teremos em várias outras áreas.
Por enquanto, a tal singularidade é apenas ficção. Na minha opinião, continuará sendo. A autoconsciência não me parece ser algo que se possa criar em laboratório. Mas não pretendia escrever sobre filosofia da mente, e sim de algo bem mais simples.
O que me mais me chama a atenção nessa história não é o exercício de futurologia, mas a constatação de que os humanos já não conseguimos mais vencer os computadores no jogo de xadrez.
Outro dia descobri que Pedrag Cicovacki –pensador iugoslavo naturalizado estado-unidense,  criativo intérprete de Kant– é mestre de xadrez. Fiquei admirado… Pois sempre considerei esse jogo como algo sofisticado não só do ponto de vista intelectual, mas também do imaginário (imaginação e simbologia*).
Mas, agora, pensando melhor, fico a perguntar-me o que pode conter de humano (e de transcendente) um jogo que foi dominado totalmente pela máquina.
Não seria mais correto e fecundo pensar que somos plenamente humanos naquilo que justamente transcende a máquina e o animal?
Schiller e Huizinga talvez nos pudessem ajudar ir adiante nessa reflexão. Que você acha, leitor?
*NOTA: O perenialista suíço Titus Burckhardt escreveu um interessante ensaio sobre a simbologia do xadrez.