A “nova” direita em ação

Nos posts O que há de velho na “nova” direita? 1/4 e 2/4, abaixo, tratei de um artigo que cita a senhora Rachel Sheherazade como integrante do que seria para o autor a “nova direita”. Lembrei de que tinha ouvido falar de uma polêmica entre ela e um professor universitário. Pois bem, a Folha de S.Paulo de hoje, 6-2, publica uma nota (“Apresentadora diz apoiar quem amarrou garotoota”) sobre essa jornalista.
A nota informa que a apresentadora do telejornal “SBT Brasil”, Rachel Sheherazade, disse, durante o programa exibido na noite de anteontem, dia 4, que apoiava o grupo que prendeu um adolescente, suspeito de cometer roubos, com um cadeado de bicicleta a um poste no Rio. Segundo ela, “a atitude dos vingadores é até compreensível” e a ação é de “contra-ataque aos bandidos”.
O jovem relata que teria sido agredido por 30 homens.
Fico a perguntar-me o que poderia ainda estar à direita dessa senhora!

A Dor como Espetáculo

http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/2008/04/sobre-meninas-e-abutres.html

Sobre meninas e abutres

por CELSO LUNGARETTI

Se o comissário Maigret, mestre em desvendar crimes a partir de um profundo conhecimento das motivações e fraquezas humanas, se pusesse a investigar o caso Isabella, sua conclusão provável seria de que a menina houvera sido vitimada pelo descontrole emocional da madrasta, com o pai tentando, canhestramente, acobertar a companheira.

E, com seu olhar compassivo para os seres humanos, mestre Georges Simenon decerto fecharia em clima melancólico essa novela de personagens destruídos num momento de fúria e reações insensatas. Não o primitivismo vingativo do “olho por olho, dente por dente”, mas o lamento civilizado pelo sofrimento inútil que os homens infligem a si mesmos.

Maigret cumpriria com pesar sua obrigação de entregar o imaturo casal à Justiça. Mas, decerto, seu sentimento seria bem outro em relação aos abutres que ultrapassam todos os limites da dignidade e do decoro para utilizar uma tragédia em benefício próprio.

O comportamento da imprensa neste episódio foi o de oferecer a dor extrema de algumas pessoas como espetáculo para a coletividade, sem jamais levar em consideração os efeitos que isso provocaria: desde os traumas causados em outras crianças cujos pais são separados até a possibilidade de que as turbas por ela incitadas linchassem os suspeitos ou se ferissem na tentativa. Revirou o lixo e emporcalhou-se com o sangue.

Além disso, ao persuadir maus agentes do Estado a vazarem laudos técnicos e depoimentos que estavam sob segredo de Justiça, trombeteando-os nos jornais nacionais, inviabilizou um julgamento justo, já que a opinião pública foi levada a condenar previamente os réus.

Nossa polícia sempre teve vezo autoritário, atuando mais como força repressiva e punitiva. Seus inquéritos tendem a ser peças de acusação e para a acusação, com o objetivo implícito de convencer promotores a denunciarem os suspeitos.

O espaço de atuação da defesa é a fase judicial, quando tenta desmontar a peça acusatória. Revelar prematuramente seus trunfos pode ser fatal para os advogados, que precisam contrabalançar nos tribunais a tendenciosidade com que muitas investigações policiais são realizadas.

Então, se a investigação policial é escancarada para o público, os pratos da Justiça se desequilibram, pois a defesa fica seriamente prejudicada e até (como neste episódio) praticamente inviabilizada.

A polícia substitui a promotoria, a opinião pública toma o lugar do tribunal e a malta está sempre pronta para cumprir a função do carrasco. Quando, além de tudo, esse rolo compressor leva a uma falsa conclusão, inocentes são esmagados, como no caso da Escola-Base.

Há algo de podre num país em que filmes justificam a tortura e a mídia contribui para submeter a Justiça à voz das ruas, por ela manipulada e arregimentada.

Não se sabe aonde este processo chegará, mas salta aos olhos que marcha na contramão da democracia brasileira, a tanto custo restabelecida. [Celso Lungaretti, 57 anos, é jornalista e escritor. Mais artigos em http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/%5D

“Leis” e Aforismos de Setzer

http://www.ime.usp.br/~vwsetzer

por VALDEMAR W. SETZER

Educação

* O ensino não é uma ciência, nem uma técnica, indústria ou comércio: é uma arte. (Inspirada pela Pedagogia Waldorf.)

* Bom professor é aquele que entusiasma seus alunos pela matéria e, a partir daquele entusiasmo, propicia o desenvolvimento adequado e necessário de seus estudantes.

Humanidade

* A realidade da miséria que é criada pelo ser humano ultrapassa a imaginação mais pessimista.

* A TV anestesiou o tédio (Inspirada em Tio Vánia, de Tchiékhov.)

* Errar inconscientemente não diminui o ser humano; o que o diminui é não reconhecer seu erro ou não corrigi-lo e compensá-lo.

* Qualquer competição é anti-social: o ganhador fica contente às custas da frustração do perdedor.
Corolário: Esportes devem ser praticados (idelamente, diariamente) sem competição.
Exemplos: Jogar peteca em uma rodinha, jogar tênis apenas batendo bola, sem contar pontos, games e sets, jogar futebol misturando as equipes após cada gol, etc.
Corolario: Jogos competitivos deveriam ser banidos do lar e da escola, substituídos por jogos cooperativos.
Comentário: Não é preciso ensinar uma criança ou adolescente a ser competitivo; a vida adulta vai ensinar isso quando (e enquanto ainda for infelizmente) necessário.

Espiritualidade

* O materialismo é tanto pior quanto mais se disfarça de espiritualismo.

* Quem não reconhece a essência espiritual única da individualidade humana, tende a antropomorfizar indevidamente.
Exemplos: Considerar que células ou animais “entram em acordo”, chamar a unidade central de armazenamento de um computador de “memória”, dizer que um termostato tem “opinião” (belief — John McCarthy) e, a pior de todas, “Inteligência Artificial” (expressão também inventada por McCarthy — ver meu artigo a respeito).

* A hipótese fundamental de qualquer religião ou religiosidade deveria ser a de que a vida humana tem algum sentido.
Corolário: o nascimento e a morte, esses momentos mais decisivos em cada vida, devem ter algum sentido (isto é, não devem ser fruto do acaso).
Corolário: toda a vida, e o universo, devem ter algum sentido.

* Da matéria não pode advir sentido para a vida; nem liberdade, dignidade, individualidade superior e responsabilidade humanas.

* O maior preconceito existente no mundo é que nele existem apenas processos materiais.
Esse é o Dogma Central da Ciência Contemporânea (DCCC).

* A maioria dos que se acham religiosos são de fato materialistas.
Exemplos. Um líder de uma religião, ao visitar Auschwitz, disse: “Onde estava Deus para permitir que se fizessem aqui aqueles horrores?” Um outro líder respondeu, parcialmente adequadamente: “Deus estava onde deveria estar: esperando que os seres humanos tomassem uma atitude.” Este segundo não justificou por que Deus delegou responsabilidade aos seres humanos e, mesmo assim, por que ele não interferiu. Ambos mostraram que não entendem o que é a divindade e seu papel nos dias de hoje — ou tinham uma visão materialista daquele papel.

* Quase todos os cientistas são materialistas.

Corolários dessas três últimas “leis”:

o As maiores fontes de preconceitos são os mundos acadêmico, científico e religioso.
o Em geral, as universidades, centros de pesquisa e centros de culto são museus de preconceitos.
Comentário: Universidades e faculdades geralmente recebem seus alunos, selecionados por critérios absolutamente desumanos, mostram-lhes, durante anos, um monte de teorias abstratas especializadas enferrujadas, e acham que com isso deram-lhes uma formação quando, do ponto de vista holístico, o que houve foi uma deformação (muito apreciada pela aberração de sociedade em que vivemos).

a casa caiu

Criador da série “House”, que chega ao quarto ano, David Shore adianta os próximos passos do médico ranzinza, abandonado pelos assistentes no fim da temporada passada

Hugh Laurie já recebeu dois Globos de Ouro pelo ersonagem-título; “ele trouxe uma
carga grande de sarcasmo e grosseria, sem torná-lo hostil’, diz David Shore

por LUCAS NEVES

Ás do diagnóstico, o infectologista Gregory House, protagonista da série que leva seu nome, desta vez falhou: não soube ler os sintomas de insatisfação de sua equipe. Agora, no início da quarta temporada (que estréia nesta quinta, às 23h, no Universal Channel), sente os efeitos colaterais: deixado a sós com sua ranhetice por Foreman, Cameron e cia., não tem a quem esculachar ou exibir seu intelecto.

Mas não há de ser por muito tempo, segundo contou David Shore, criador do programa, na entrevista telefônica a jornalistas latinos da qual a Folha participou, na semana passada.

“Estamos fazendo uma espécie de “Survivor” [reality show americano que inspirou a gincana eliminatória global “No Limite”] neste ano. House não é do tipo que abre um concurso, faz 40 entrevistas e contrata três pessoas. Sua linha é mais contratar 40 e demitir 37. Suas decisões a respeito de quem fica e quem sai darão dicas interessantes sobre quem ele é.”

O “processo seletivo” deve se estender por oito ou nove episódios. Mas o entourage antigo do médico no hospital Princeton-Plainsboro ainda não aposentou os jalecos. “Eles voltarão. A surpresa para o público será a forma como se dará esse retorno”, adianta Shore.

O “enxugamento” súbito de elenco não fez mal à audiência da série. Os sete primeiros episódios da nova safra registraram média de 19,1 milhões de espectadores, garantindo a “House” o sexto lugar no ranking da televisão americana.

No Brasil, em sua terceira temporada, foi o terceiro seriado mais visto nos canais pagos. A Record, que exibe o segundo ano da atração na TV aberta, tem obtido sete pontos (cada ponto equivale a 54,5 mil domicílios na Grande São Paulo), bom índice para uma produção estrangeira.

Perfil contra-indicado
Arrogância, egolatria e rispidez são traços contra-indicados a qualquer protagonista que aspire à admiração do público. Dr. House não dá a mínima para isso -e, ao que parece, nem os fãs da série. “Ele faz sucesso, em primeiro lugar, porque está salvando vidas. Se fosse manobrista e continuasse tão grosseiro, não sairia incólume. Além de ser brilhante no que faz, é capaz de dizer coisas que todos nós gostaríamos de dizer”, diz Shore.

Por sua atuação como o médico genioso, o inglês Hugh Laurie já recebeu dois Globos de Ouro e duas indicações ao Emmy (o prêmio máximo da TV dos EUA). “Ele trouxe ao personagem uma carga grande de sarcasmo e grosseria, sem torná-lo hostil”, elogia o criador da série, advogado de formação que foi buscar na medicina o pano de fundo para seu primeiro hit televisivo.

“Sei que não faz o menor sentido. É que não vejo “House” como um programa médico. O coração da série é a relação do médico com as pessoas e o posicionamento dele diante de dilemas éticos. Não se trata tanto de diagnóstico ou procedimento médico quanto das decisões morais que ele tem de tomar.”

Diga à TV que fico
Com o nome em alta em Hollywood, Shore diz que não pensa em fazer a transição para o cinema. “A televisão é o meio em que você quer estar hoje, nos EUA, se você é um roteirista. Se estivesse fazendo um filme, o diretor reescreveria o meu script. Na TV, sou eu que digo ao diretor o que estamos buscando. O que importa hoje nos filmes é o espetáculo, o que você pode explodir. Por isso é que a televisão começou a atrair roteiristas. Além disso, esse veículo permite explorar um personagem por muitos anos, o que não acontece no cinema, onde você divide duas horas com efeitos especiais.”

A greve dos roteiristas, que há 15 dias paralisa boa parte da produção de conteúdo televisivo nos EUA (a classe pede participação nos lucros com down-load na internet e vendas de DVDs), já tem consulta marcada com House. “Estamos rodando o 12º episódio. É o último para o qual há script. Não irei reescrevê-lo para que sirva como encerramento da temporada, caso a greve se estenda. Por isso, espero que os produtores ofereçam logo um contrato justo”, afirma Shore.

House é o canalha que todos amamos

por LEONARDO CRUZ

Lá pelas tantas na quarta temporada de “House”, uma futura paciente explica por que decidiu procurar o médico que protagoniza a série: “Você é o melhor. Quebra regras. E não se importa com ninguém, exceto consigo mesmo”. A fala da personagem sintetiza não só as razões que levam doentes ao hospital de Gregory House mas também os motivos que nos fazem acompanhar este programa médico.

Esquartejemos a fala em três. “Você é o melhor” resume a excelência que esperamos do protagonista -uma série totalmente centrada em um personagem, caso de “House”, precisa gravitar em torno de alguém único, extremamente capaz em sua área de especialização.

“Quebra regras.” O flerte com o crime, com a ilegalidade, sempre foi um bom elemento para atrair platéias na história do cinema e das séries de TV. House invade casas de pacientes e desrespeita o regulamento hospitalar e os códigos da medicina para provar que está certo, confirmar suas teorias e, se possível, salvar vidas.

“Não se importa com ninguém, exceto consigo mesmo.” A House só interessa descobrir a causa da doença de seus pacientes. A obsessão leva o médico a tratar enfermos como cobaias e assistentes como mero estímulo para solucionar problemas. Tal egoísmo latente seria repulsivo se não fosse temperado com muito sarcasmo.
House humilha colegas de trabalho, ironiza pacientes, ignora o sofrimento típico do cotidiano hospitalar -e nos faz rir com tudo isso. Um humor corrosivo, quase sádico e cheio de referências da cultura pop. Hugh Laurie entendeu desde o início que seu médico manco era o oposto dos doutores bonitões e assépticos de novelinhas como “Grey’s Anatomy”. Em resposta, o ator britânico construiu um protagonista que se tornou maior que a série, o canalha que todos amamos.

Avaliação: ótimo [FOLHA 20/11/07]

“24 Horas” vira disciplina universitária

William Devane (James Heller) e Kiefer Sutherland (Jack Bauer) no último episódio do sexto ano de “24 Horas”

Série é bom ponto de partida para discutir questões que democracias enfrentam na luta contra o terrorismo

Em entrevista à Folha, acadêmico que propôs a matéria explica seu plano de curso e alfineta críticos do conservadorismo do seriado

por LUCAS NEVES

Estudantes de direito e juristas, tremei: Jack Bauer, o protagonista linha-dura da série de TV “24 Horas”, está prestes a trocar os pouco ortodoxos interrogatórios da fictícia Unidade Contraterrorista da CIA por uma beca.

Ou quase isso. A partir de janeiro de 2008, ele bate ponto no campus da Universidade Georgetown, em Washington, como principal referência bibliográfica (ou videográfica, se preferir) da disciplina-seminário “A Lei de “24 Horas'”, oferecida no programa de mestrado da faculdade de direito da instituição de ensino.

Depois de lidar com explosões nucleares, atentados contra políticos e a liberação de vírus letais e gases tóxicos em Los Angeles (e, de quebra, faturar dois Globos de Ouro e 17 Emmys, o principal prêmio da televisão norte-americana), o personagem interpretado por Kiefer Sutherland chega à academia pelas mãos do professor Gary Sharp.

Em entrevista por e-mail à Folha, ele conta como teve a idéia de levar “24 Horas” para Georgetown, por onde já passaram nomes como o ex-presidente dos EUA Bill Clinton e o atual presidente da Comissão Européia, o português José Manuel Durão Barroso.

“Certa noite, assistindo ao programa, percebi que ensinar o direito contraterrorista no contexto dos temas levantados por “24 Horas” seria uma forma maravilhosa, singular e divertida de abordar as questões sérias e sombrias que todas as democracias enfrentam na batalha contra a ameaça global de terrorismo.”

Sharp diz que os assuntos discutidos em classe com o apoio das tramas do seriado incluirão “as implicações legais, nos EUA e no mundo, do uso de força militar contra patrocinadores estatais e não-estatais do terrorismo, assim como as liberdades civis, detenções, interrogatórios e tratamento dos capturados nos campos de batalha ou dos presos por suspeita de terrorismo” (veja no quadro ao lado exemplos de “cenas paradidáticas”).

Não há mais vagas
Já não há mais vagas -e circula lista de espera- para a disciplina. As aulas começam em janeiro, coincidindo com o início da sétima temporada da série na Fox americana (no Brasil, a Fox exibiu na semana passado o fim do sexto ano, e a Globo passou o quinto em janeiro). Os encontros acontecerão às terças, para aproveitar os “ganchos” fornecidos pelo episódio mostrado na noite anterior.

Segundo Sharp, ser fã da série não é pré-requisito para freqüentar as aulas. “Vou estruturar o curso de forma que aqueles que não são fãs não apenas aproveitem e participem ativamente [das discussões] como também virem aficionados só para identificar [no programa] o próximo assunto ligado ao direito”, brinca.

O currículo de Sharp traz passagens pelo Departamento de Estado, pela Biblioteca do Congresso e pela Promotoria do Corpo de Fuzileiros Navais. Atualmente, é conselheiro do Departamento de Defesa para assuntos internacionais. À reportagem, ele pede que frise a independência (em relação aos cargos públicos) do trabalho como professor. “Todos os textos e discussões serão baseados somente em informações de domínio público.”

Entretanto, sai pela tangente ao ser indagado sobre o que pensa das respostas do governo Bush às ameaças terroristas -e se elas estão de fato distantes da cartilha linha-dura de “24 Horas”. “Vou pedir [aos alunos] uma análise estruturada e metódica das leis norte-americanas e internacionais. No entanto, também solicitarei que mantenhamos um espectro de trabalho bipartidário, deixando comparações e julgamentos para outro fórum”, afirma.

Pesado fardo
A reportagem insiste para que ele comente a abordagem política do terrorismo na série, vista pela crítica como conservadora, inclinada à direita. “Repetindo: meu curso não envolverá julgamentos políticos, apenas análise legal. O que sei é que a maior parte dos críticos e analistas não carrega o pesado fardo e a responsabilidade de um serviço governamental do qual se pede ação efetiva para proteger seu povo de assassinos em massa sem juízo”, diz.

“Você acha que um programa como “24 Horas” seria popular se mostrasse um agente interrogando um terrorista -que está inclinado a cometer suicídio e detonar uma arma nuclear ou liberar um agente biológico no centro de Los Angeles- com uma conversa polida, circundado por uma taça de chá e bolinhos?”, emenda Sharp.

Observadores estrangeiros costumam citar o seriado como uma das vitrines da paranóia antiterrorista que se disseminou na América pós-11/9. O professor questiona esse status. “A televisão é uma mídia poderosa, que pode moldar, corretamente ou não, a opinião internacional. Não julgo meus maravilhosos amigos europeus e brasileiros por seus game shows, comédias ou novelas.” [FOLHA 25/9/07]