grandeza do dever vs. mérito da pessoa

KANT, Immanuel [1724-1804]. Crítica da razão prática [1788]

A virtude, todavia, tem […] tanto valor porque custa muito e não porque traga alguma vantagem. Toda a admiração que nos inspira esse caráter, e o próprio esforço que podemos fazer para nos assemelharmos a ele, assenta aqui plenamente na pureza do princípio moral, o qual não pode ser representado de modo claro e distinto sem que se separem dos móveis [motivos] da ação tudo o que os homens possam atribuir à felicidade. Desse modo a moralidade tem tanto mais força sobre a alma [ânimo, coração] humano quanto mais pura a representamos. Disso resulta que se a lei moral, a imagem da santidade e da virtude devem em geral exercer alguma influência em nossa alma, não poderá fazê-lo senão enquanto seja apresentada como um móvel puro e despido de toda a consideração de interesse pessoal, porque é sobretudo na desgraça [sofrimento] que se mostra em toda a sua dignidade [excelência]. Ora, tudo aquilo cuja ausência amplie o efeito de uma força motriz deve ser tido como um obstáculo. Por conseguinte, toda mistura de móveis voltados para a própria felicidade constitui um obstáculo à influência da lei moral sobre a alma humana. – Além disso sustento que, até naquela ação digna de admiração, se não se supõe outro motivo além da consideração do dever, é justamente esse respeito pela lei – e não alguma espécie de pretensão íntima à grandeza de alma, aos sentimentos nobres e meritórios – que agirá mais fortemente sobre a alma do ouvinte, e que, conseqüentemente, é o dever e não o mérito o que produz sobre a alma não apenas a influência mais determinada, mas ainda, se estiver representado na verdadeira luz de sua invulnerabilidade [inviolabilidade], a mais penetrante.

Em nossos dias, quando se espera, com sentimentos ternos e compassivos (além de outras pretensões de alto voejar [altos vôos], todas elas vaidosas e que mais debilitam do que fortificam a alma), melhor influir sobre a alma do que com a representação pura e severa do dever – que mais se coaduna [conforma] à imperfeição da natureza humana e a seus progressos no caminho do bem –, urge mais do que nunca chamar a atenção para esse método. Apresentar como um exemplo [modelo] às crianças ações pretensamente nobres, generosas [magnânimas] e meritórias, com o escopo [objetivo] de interessá-las por essas ações, inspirando-lhes o entusiasmo, é proceder de modo inteiramente contrário à finalidade proposta. Como não estão elas ainda suficientemente adiantadas na observância do dever mais comum e até na justa apreciação do mesmo [de julgá-lo corretamente], a sua imaginação resulta fantasiosa e sonhadora [criam-se cabeças vazias]. Ainda mesmo na parte mais instruída e experimentada da humanidade, esse pretenso meio [método], quando não é funesto [prejudicial], não surte pelo menos o efeito verdadeiramente moral sobre a alma, que, contudo se desejaria produzir [por esse meio].

a mentira

Trabalho de aproveitamento do curso de Ética da Faculdade de Filosofia de São Bento ministrado pelo prof. Edson D. Gil [S. Paulo – 2007.1]

por ÁGATHA OLIVEIRA FERREIRA

PARTE I
Os homens em geral possuem uma série de artifícios que os ajudam na relação com seus semelhantes, e é assim, pois, que freqüentemente lançam mão de tais artifícios que, por sua vez, vão atraindo para si uma importância tal (em decorrência da sua eficácia), que com o passar do tempo já se torna necessário e não mais questionável o seu uso. Cai, portanto, no esquecimento dos homens a nocividade que pode permear seus tão amados e inseparáveis artifícios, se é que eles já não são maus em si mesmos. São exemplos deles: a conivência, a falsa amizade, as honrarias e a mentira. Em relação a eles uma coisa é certa, que os homens têm consciência de que não são dignos de louvor e, desse modo, parece que eles sabem de alguma maneira separar o bom do útil. É certo, para eles, que os artifícios por eles utilizados não são conformes com o dever.

Sendo assim, parece que há um consenso entre os mesmos que tiram proveito deles, de que os artifícios sejam imorais, no entanto, para que tal afirmação não seja apenas uma mera opinião ou mesmo fruto duma insatisfação do homem com sua própria condição, é preciso descobrir que espécie de moral é capaz de fundamentá- la.

A moral que aqui procuramos deve ser, então, aquela que menos favorecer a condição dos artifícios.

Essa breve investigação traz consigo duas posições contrárias em relação à moral, a de Constant, que se baseia por princípios a posteriori e a de Kant, que leva em conta unicamente os princípios a priori, que serão apreciadas imediatamente após algumas considerações sobre o dever, que é questão da qual não se pode fugir quando se fala em moral e que servirá, então, de pontapé inicial para essa redação.

A questão do dever será aqui examinada sob a luz do pensamento kantiano.

PARTE II
Kant utiliza-se, na sua Fundamentação , de exemplos comuns através dos quais vai tecendo a idéia de dever, e a primeira delas é a de que existe uma diferença substancial entre uma ação que está em conformidade com o dever, e que pode também estar sob o efeito das inclinações ou do cálculo interesseiro, e outra que é executada exclusivamente por dever, e é por meio dela que se pode extrair o valor moral da ação.

Vamos agora apreciar dois dos exemplos de que Kant se serve. O primeiro exemplo: Um comerciante que não se aproveita da inexperiência do comprador para elevar o preço da sua mercadoria age conformemente ao dever, porém, age dessa maneira por puro interesse não por dever, não é também por inclinação, já que esta o levaria, por amor aos seus clientes, a favorecer alguns e a outros não.

Segundo exemplo: É dever do homem conservar a própria vida, e ele, de fato, conserva. No entanto, age dessa maneira porque sente, relativamente a isso, uma forte inclinação que o faz executar uma ação que apresenta conformidade com o dever, mas que não é feita por ele.

A conformidade com o dever não é, para Kant, suficiente para determinar se uma ação possui valor moral ou não. O fazer algo por dever é, portanto, a condição necessária para que a máxima que determina a ação possua valor moral. Desse modo, o fim que se tem em vista e os objetos da faculdade apetitiva, que são os móbiles materiais da vontade, não podem, de modo algum, fornecer valor moral a uma ação.

Levando em conta as considerações feitas logo acima, podemos agora apreciar a formulação kantiana:

o dever é a necessidade de cumprir uma ação por respeito à lei.

Para Kant, sentimos, de fato, inclinação aos objetos que são efeito da nossa vontade, mas nunca respeito por eles. O que merece respeito é, na verdade, um princípio e não um efeito da nossa vontade, é o que domina as inclinações e não o que presta serviço a elas. Portanto, só a lei por si mesma pode ser objeto de respeito, e respeito, para Kant, implica necessariamente uma consciência de subordinação e, portanto, a lei é também uma ordem.

Esta lei moral que, no homem, é a representação de um princípio prático objetivo tem o imperativo categórico como fórmula, que ordena sem tomar parte de qualquer objeto, sem ter em vista o fim e a utilidade de uma ação, isto porque é formal, fornece um modo de querer.

Sendo assim, para que uma ação seja feita por dever e, portanto, possua valor moral, é preciso que a máxima da ação, que é um princípio prático subjetivo, esteja em concordância com a lei objetiva; desse modo o imperativo prescreve que se deve querer que a máxima que rege a ação seja estatuída como lei universal, válida para todos os seres racionais.

Levando em consideração a formulação de dever, podemos agora aplicá-la. Tomemos a mentira, que já foi tratada por Kant e que é tema desta redação, como modelo de aplicação.

A mentira não apresenta conformidade com o dever e para que não reste dúvidas quanto a isso, basta que se pergunte a si mesmo se seria possível, por vontade sua, querer que a máxima que o manda mentir seja válida como lei universal. Rapidamente se descobre, diz Kant, que se pode muito bem querer a mentira, mas não se pode querer uma lei que mande mentir.

Além do mais, quando se faz uma falsa promessa, o outro, ao qual a mentira é direcionada, é utilizado apenas como meio, o que entra em contradição com o princípio moral de tratar a natureza racional não simplesmente como meio, mas também como fim em si mesma. Desse modo, o outro deveria, se se quisesse agir de acordo com o dever, ser também o fim da ação.

A mentira não possui, de modo algum, valor moral, já a veracidade, que é o seu contrário, sim, de modo que ela é, verdadeiramente, um princípio da moralidade.

PARTE III
Abusou-se tanto e de uma maneira tão cruel da palavra princípios, diz Constant, que aquele que, em relação a eles, exige respeito e obediência, é chamado habitualmente de sonhador abstrato, de pensador quimérico.

Constant observa, nesse trecho, uma crise em relação aos princípios, e é a partir dessa temática que ele faz uma critica à moral de Kant. Vejamos, pois, o desenrolar dela acompanhando seu raciocínio.

Os princípios, para Constant, são construídos empiricamente, visto que são “o resultado geral de um certo número de fatos particulares”. Dessa forma, cada associação de coisas possui um princípio que lhe é próprio, e este princípio está sujeito a mudanças se o conjunto de coisas da qual ele se originou muda, e esta metamorfose que sofre se torna, então, princípio.

Os princípios são gerais relativamente às combinações das quais tiveram origem e não absolutamente, visto estarem sujeitos aos fatos. Há também princípios universais, contudo, estes necessitam de outros princípios aos quais deve ser acrescentado.

São denominados intermediários aqueles princípios que fornecem um elo, um meio de aplicação aos princípios gerais e universais, pois estes princípios por si mesmos são inaplicáveis:

…pois o princípio arrancado de todas as suas imediações, privado de todos seus apoios, rodeado de coisas que lhes são contrárias, destrói e abala; mas não é a culpa do primeiro princípio que é adotado; é a dos princípios intermediários que são desconhecidos: não é a admissão daquele, mas é a ignorância a respeito destes que afunda tudo no caos.

Constant fornece um exemplo que ilustra a inaplicação do primeiro princípio sem a c
ontribuição de um princípio intermediário:

É um principio universal, igualmente verdadeiro em todos os tempos, e em todas as circunstâncias, que nenhum homem pode estar submetido a leis, a não ser àquelas para as quais contribuiu.

Este princípio é perfeitamente aplicável numa sociedade muito pequena, e não precisa, para isso, do auxílio de nenhum princípio intermediário. Ao contrário, numa sociedade muito numerosa é necessário lançar mão do princípio intermediário para que o primeiro possa ser executado, tal princípio é:

… que os indivíduos podem contribuir para a formação das leis, seja pessoalmente, seja por meio de representantes.

Sendo assim, os princípios intermediários, concretos, tornam possível a aplicação dos princípios abstratos. É quando aplica este raciocínio à moral que Constant faz referência a Kant e toma como ponto de partida o princípio moral de que dizer a verdade é um dever.

Este princípio, semelhantemente ao do exemplo anterior, necessita dum outro que promova o meio da aplicação, pois se fosse considerado de uma maneira absoluta e isolada, tornaria impossível toda sociedade. É deste modo que Kant, na visão de Constant, procede, e fica evidente pelas conseqüências que não é o melhor dos modos, pois neste caso, seria até mesmo um crime mentir a um assassino que procurasse por seu amigo a fim de liquidá-lo.

Fica claro, pois, que proceder dessa forma gera grandes inconvenientes que só podem ser evitados com a utilização dum princípio intermediário.

É preciso descobrir o princípio intermediário, pois:

Todas as vezes que um princípio, demonstrado como verdadeiro, parece inaplicável, é porque ignoramos o princípio intermediário que contém o meio da aplicação.

Um modo de descobri-lo é definindo o primeiro princípio. No presente caso é preciso definir o princípio da veracidade. Dizer a verdade é um dever, e, para Constant, a idéia de dever está implicada na idéia de direitos. Deste modo, o dever que alguém tem corresponde ao direito de um outro, isto significa que dizer a verdade é um dever em relação a alguém que tem direito a ela. E aquele que prejudica os outros não tem direito algum sobre a verdade; assim o suposto homicida de amigos será excluído de tal direito.

Eis o princípio intermediário que não remete a nenhum inconveniente e que permite a aplicação perfeita do princípio moral da veracidade.

PARTE IV
Kant, ao que parece, não sente que as declarações de Constant oferecem perigo a sua moral, antes disso, parece que ele se vê na condição de esclarecer, de instruir. Isso fica evidente quando diz, relativamente ao princípio intermediário da veracidade, que a expressão que o representa é “desprovida de sentido”. Pois o certo é dizer que o homem tem direito à verdade subjetiva em sua pessoa, do contrário, dizer que ele tem direito à verdade objetiva é o mesmo que dizer:

depende de sua vontade, como em geral em relação ao meu e ao teu, que uma dada proposição deva ser verdadeira ou falsa, o que resultaria, diz Kant, numa lógica singular.

Sendo assim, tal fórmula não é clara, na medida em que a verdade não é um bem do qual possa lançar mão aquele que tem o direito, e o outro não. Além do que, o dever moral da veracidade é incondicional, isto quer dizer que ele é válido em todas as circunstâncias e válido para todos os seres racionais.

O homem, portanto, não tem o direito de faltar com a verdade, pois a veracidade nas declarações que não se pode evitar é dever formal do homem em relação a cada um, ou seja, agir conforme ao dever é uma ação que é prescrita não tendo em vista nenhum móbil material, nem qualquer conseqüência que possa decorrer dela. E, mesmo que seja forçado a mentir a fim de impedir um crime, aquele que mente pode, com isso, não cometer nenhuma injustiça em relação àquele que o força, no entanto, comete uma injustiça em relação à humanidade, pois fere a parte mais essencial do direito em geral, fazendo com que as declarações não tenham nenhum crédito.

Portanto, sentencia Kant, aquele que mente, por mais bem intencionado que também esteja ao mentir, tem de responder pelas conseqüências de sua mentira, até mesmo perante o tribunal de justiça civil .

Deste modo, Kant deixa claro que mentir é sempre imoral, e punível também segundo as leis do direito, não importa a intenção, não importa a quem seja direcionada, seja ele um assassino ou um indivíduo qualquer, pois a veracidade é um dever em si, que não admite exceções.

Sendo assim, o princípio intermediário de Constant não é válido, pois admite exceções à regra, e deste modo perde o que lhe é mais essencial: a universalidade, que, justamente, o caracteriza como princípio.

PARTE V
Uma moral construída através de princípios empíricos, como na visão de Constant, seria uma moral relativista e, portanto, permissivista. Qual seria, então, o sentido da existência de tal moral? Absolutamente nenhum, pois a moral deve ser o parâmetro para as ações (não a permissão para fazer o que bem nos aprouver) e não as ações serem o parâmetro para a construção de uma moral, e isso só seria possível se não fosse um paradoxo que ela precedesse à sua própria existência, pois nestas circunstâncias, a moral já está pressuposta.

Ora, se a moral possui uma função reguladora em relação às nossas ações, há que existir, pelo menos, uma anterioridade lógica que nos permita pensar nesse procedimento. Fica claro, pois, que a nossa natureza deve adaptar-se à Moral e não o contrário, pois se ela se fundasse tomando como base a natureza humana, que é diversa, ela seria também muito contingente e simplesmente não seria mais moral. Portanto, uma moral elástica já não é mais moral.

A moral de Kant se me afigura mais coerente do que a moral que propõe Constant, e é a partir dela que passo a analisar a condição dos artifícios aos quais fiz menção logo na primeira parte que serve de abertura a esta redação. Deixo que a mentira sirva de modelo a ser aplicado a todos os outros artifícios.

Kant mesmo reconhece que mentir pode ser, circunstancialmente, prudente, mas nestes casos, acrescento eu, que não se mente pelo bem da prudência, e sim porque com esta mentira se quer algo além desta, o ser prudente aqui é meramente acidental. É o que acontece no caso, que já foi anteriormente citado, em que se mente ao assassino que quer matar seu amigo. Ora, não há dúvida de que é prudente mentir nestas condições, mas aquele que mente quer, antes de ser prudente, se livrar de uma situação que o embaraça, e da culpa que lhe ocorreria se algo acontecesse. Não é, pois, pelo bem da prudência que se mente, mas sim pelo acordo de paz que se quer lançar à própria consciência. A mentira é útil e, portanto, faz parte da natureza humana, pois só a razão pode compreender e querer algo em si mesmo e, a mentira, ao que parece, não é vista como um fim em si, ela é instrumento e como todo instrumento está sujeita às circunstâncias e, deste modo, é totalmente condicionada.

A mentira é, portanto, puro meio e neste caso não se vá pensar que os fins justificam os meios , pois reside aí um paradoxo.

Imaginemos a seguinte situação que o ilustrará: Uma mãe, que conhecendo a fragilidade emocional de seu filho, não quer revelar-lhe que na verdade não o gerou, que o obteve por meio da adoção. Mesmo sendo interrogada pelo filho em vista das diferenças físicas que lançam a desconfiança em seu espírito, ela substitui a verdade por um fato qualquer, por exemplo, diz que ele se parece em tudo com o pai, que faleceu quando ainda estava grávida.

Essa mãe pretende, desse modo,
resguardar os sentimentos de seu filho, e quer, por meio da mentira, assegurar o bem dele. Ora, é perfeitamente compreensível a situação angustiante na qual se encontra essa mulher, mas é evidente a incoerência que permeia seu raciocínio, pois há contradição maior do que assegurar o bem de outrem por meio de uma mentira? É claro que não, a não ser que se queira a todo custo dizer que o bem pode coexistir com a idéia de falsidade, a não ser que se queira admitir que o bem de outrem é o engano, é a névoa que encobre o seu próprio destino.

Portanto, não tem lógica um pensamento que diga: “Posso lançar a mais falaciosa das mentiras e não serei, por isso, repreendido, já que o fim a que me proponho alcançar, o bem de outrem, é louvável”.

A mentira, no entanto, sempre aparecerá como uma solução imediata para certas situações, pois não conseguimos de todo silenciar a nossa natureza, e é assim que acontece, porém, não é assim que deve acontecer.

Além do mais, num lugar onde a mentira fosse a regra, ela já não mais teria sentido de existir, pois o que a caracteriza, o que fornece a sua essência é, justamente, o fato de ser a exceção, a contravenção, o instrumento externo (de defesa) a todo sistema da moralidade.

Como resultado da nossa investigação temos que a moral pela qual estávamos à procura, isto é, aquela que menos favorece os artifícios, é a moral de Kant, pois ela não se demora nos fatos e nem mesmo se adapta a eles, fazendo com que determinadas ações sejam sempre imorais mesmo quando justificáveis por meio de boas intenções ou quando simplesmente encobertas por elas, do contrário, tal moral necessitaria de contínuos reparos o que resultaria na sua falência total.

Bibliografia
CONSTANT, Benjamin. Das Reações Políticas. Tradução de Thereza Calvet de Magalhães. Cap. 8 (“Dos princípios”).

KANT, Immanuel. Fundamentação da Metafísica dos Costumes. Tradução, introdução e notas de Antônio Pinto de Carvalho. Companhia Editora Nacional, Lisboa, 1964.

KANT, Immanuel. Sobre um pretenso direito de mentir por amor aos homens. Tradução de Thereza Calvet de Magalhães e Fernando Rey Puente.

MAQUIAVEL. O Príncipe. Tradução de Pietro Nassetti. Martin Claret, 2002, cap. XVIII (Da conduta dos príncipes e da boa fé).

descartes: uma síntese da modernidade

Trabalho apresentado ao professor Edson Gil, como requisito parcial para a conclusão da disciplina de História da Filosofia Moderna I (2007.1)

por THIAGO RODRIGUES

“A obscuridade das distinções e dos princípios de que se servem é a causa de poderem falar de todas as coisas como se as soubessem e de sustentarem o que dizem contra os capazes e os mais sutis, sem que se tenham meios de os convencer. Por isso, tornam-se comparáveis a um cego que, para lutar sem desvantagens contra alguém que não é cego, levasse o adversário para o fundo de um subterrâneo muito escuro.” [René Descartes]

INTRODUÇÃO
O projeto cartesiano tem como objetivo “chegar ao conhecimento de todas as coisas” e, para isso, “procurar a verdade nas ciências” . Para tanto, Descartes busca seus fundamentos na matemática, a única ciência que “resiste” ao crivo de suas críticas. No centro de seu pensamento podemos colocar o primado da representação, que constitui a base de sua crítica à tradição, que ele via como dogmática e que fazia o saber depender da autoridade mais que do exercício independente da razão. Descartes é o representante da mudança do paradigma medieval para o paradigma moderno.

Podemos identificar como predominante no paradigma medieval o problema do ser enquanto ser, ou seja, o problema metafísico. Para os pensadores do medievo, todo o fundamento de sua filosofia era, ou a metafísica aristotélico-tomista, ou a autoridade da bíblia, portanto se valiam de um princípio de autoridade; para a mentalidade nascente, ao contrário, o que importava era o problema do conhecimento, ou seja, como é possível conhecer as coisas, tendo como fundamento a razão. É nesse contexto que Descartes é revolucionário, ao propor o primado do sujeito como fonte de conhecimento, contrariando assim, um certo “realismo ingênuo” que predominava na concepção aristotélico-tomista. Vemos, portanto, neste quadro, a crise na visão que o homem tinha sobre o mundo e si mesmo, influenciada por uma série de descobertas científicas ocorridas no século XVI e XVII. É neste contexto que se insere Descartes.

O que buscamos discutir, portanto, é a mudança do paradigma medieval para o paradigma moderno, tendo como fio condutor, ou seja, como seu maior representante Descartes. Para tanto, buscamos apoio em textos do próprio filósofo e, como interprete, baseamo-nos, principalmente na análise feita por Franklin Leopoldo e Silva.

É através da dúvida metódica que Descartes realiza uma ruptura com o princípio de autoridade, característica marcante do paradigma medieval, e é através do desenvolvimento do cogito que o filósofo apresenta o primado do sujeito, representando, portanto, a revolução na visão do homem sobre o mundo e sobre si mesmo.

CAPÍTULO ÚNICO – O PARADIGMA DA MODERNIDADE
1. A premissa metafísica

Para caracterizar a maneira de pensar que predominava na época de Descartes, é preciso nos remetermos à metafísica de Aristóteles, que, depois seria retomada por Tomás de Aquino numa perspectiva teológica, portanto, é a metafísica que melhor define o pensamento que predominou desde a antiguidade, passando pela Idade Média, até princípios da Idade Moderna.

Na metafísica aristotélico-tomista, todo conhecimento abstrato provinha de uma realidade sensível, ou seja, todo conhecimento tinha como ponto de partida os sentidos, podemos, portanto, identificar essa visão a um certo realismo ingênuo, visto que, não admitia nenhum conteúdo da mente que não houvesse antes estado nos sentidos. Dessa maneira todo conhecimento consistiria na explicação do trajeto percorrido pelas coisas ao espírito. É Descartes quem primeiro propõe o primado da representação, para depois, buscar uma correspondência na realidade objetiva.

Nessa concepção medieval, o estudo dos fenômenos físicos dependia da compreensão da relação causal desses fenômenos, ou seja, da compreensão do que Aristóteles chamava de forma substancial, ou melhor, das essências das coisas. Ora, essa visão se contrapõe à visão nascente na modernidade que começa a interpretar a realidade física a partir das relações matemáticas que os fenômenos mantém entre si, aonde, portanto, é possível estabelecer leis gerais que expliquem a realidade física.

Feita essa exposição das implicações epistemológicas e físicas que a metafísica clássica apontava, e que, se contrapunham de maneira gritante as descobertas científicas e ao espírito nascente, podemos nos deter ao pensamento e as inovações que essa visão cartesiana, que afirma o primado do sujeito, trouxe a visão de mundo que o homem passa a ter.

2.Do contexto ao texto
O século XVI e XVII foram profundamente marcados por descobertas científicas que mudaram a visão de mundo do homem ocidental, descobertas como as afirmadas por Copérnico e depois defendidas por Galileu, que propunham o heliocentrismo em oposição ao geocentrismo tradicionalmente aceito, fizeram com que o homem começasse a colocar em dúvida aquelas verdades dadas pela tradição.

O primeiro golpe decisivo que alteraria essa concepção de mundo, segundo Franklin Leopoldo e Silva , veio com Giordano Bruno, ainda no século anterior, que afirmava que o universo era infinito e sem centro, essa descoberta se contrapunha à concepção da cosmologia aristotélica, que era aceita na Idade Média. Graças a essa afirmação Bruno foi condenado à fogueira. Podemos destacar também as descobertas feitas por Kepler, que enunciou a lei do movimento elíptico dos planetas em torno do sol, aperfeiçoando a teoria de Copérnico, que depois seria comprovada por Galileu através do uso de uma luneta. Essas descobertas trariam conseqüências na concepção metafísica que o homem tinha sobre o universo, posto que “o retira de sua posição central e o torna um ser relativo, entre muitos outros”. Todas essas descobertas levaram os pensadores a abandonar o sistema aristotélico, tendo em vista a discrepância entre a cosmologia do filósofo grego e as novas descobertas, também segundo Franklin Leopoldo e Silva, o que ocorre é “uma separação entre o saber filosófico e o saber científico”.

É relevante, também, apontar que Descartes desenvolve seu pensamento num contexto onde as descobertas marítimas, a chamada revolução científica, a reforma protestante iniciada por Lutero e a contra-reforma promovida pela igreja católica, influenciavam a mentalidade dos homens. Foram essas descobertas que proporcionaram o desenvolvimento do renascimento cultural europeu. Mais confiante em si mesmo, o homem deixa de se preocupar tanto com as questões teológicas e passa a si colocar como centro das preocupações intelectuais e sociais, colocando-se, assim, como criador do mundo em que vive.

É nesse contexto que, em La haye, província francesa de Touraine, nasce Descartes. Estuda num dos colégios mais respeitados de seu tempo, La Flèche, que tempos depois seria inspirador de suas críticas à tradição, e de sua atração pela matemática. É importante destacar alguns dados da biografia de Descartes para melhor compreender o desenvolvimento de seu sistema filosófico. Proveniente de uma família abastada, Descartes goza de certo conforto para seguir sua busca sem maiores preocupações de ordem financeira, podendo assim, viajar e se dedicar aos estudos. Por volta de 1618, o filósofo se integra ao exército de Maurício de Nassau, onde tem um sonho que, segundo ele, seria uma revelação de algo, que chamou de ciência admirável. Correspondeu-se durante algum tempo com a rainha Elizabeth, tratando de assuntos filosóficos, “talvez estimulado por essas questões o filósofo compôs o Tratado das paixões da almaâ€
 (1649); Em 1649, o filósofo viaja para Suécia a convite da rainha Cristina, morrendo tempos depois devido, provavelmente, à pneumonia em 11 de fevereiro.

É interessante ressaltar como contemporaneamente a Descartes, Francis Bacon desenvolve seu pensamento dentro de uma perspectiva empirista, contrapondo-se radicalmente ao racionalismo fundado por Descartes, abrindo assim as duas principais vertentes do pensamento moderno .

Dentro deste contexto o filósofo sente a necessidade de estabelecer um método que unificasse as ciências, é, entre outros, num de seus textos mais célebres que Descartes se dedica a essa tarefa: o Discurso do método(1637).

3. “Ato de suspensão de juízo sobre o valor de verdade de todos os conhecimentos herdados pela tradição”
Ao buscar um método em que o ponto de partida para o conhecimento é proporcionado pela intuição, buscando fundamentar as ciências, Descartes tem como pressuposto uma crítica a maneira como tradicionalmente os estudos desestimulavam o uso do bom senso e da própria razão.

É em o Discurso do método que Descartes se dedica à tarefa de estabelecer esse método que unificaria as ciências. No entanto, não é possível entender o pensamento do filósofo sem se remeter também a sua física e a sua metafísica, como diria em Princípios de filosofia, “toda a filosofia é como uma árvore, cujas raízes são a metafísica, o tronco a física e os ramos que procedem do tronco são todas as outras ciências”.

Inicialmente é o próprio método que nos fornece um fundamento a essa crítica à tradição, no entanto, existe uma estreita relação entre o método de aquisição da evidência e a dúvida hiperbólica, que nos remete a sua metafísica, como condição inicial da reconstrução do saber. Portanto, o que Descartes faz com as quatro regras expostas no Discurso do método é uma “desconstrução” do saber herdado pela tradição, segundo Franklin Leopoldo e Silva podemos aproximar, inicialmente, essa postura do filósofo a postura dos céticos, Descartes põe em suspensão de juízo sobre o valor de verdade de todos os conhecimentos herdados pela tradição, isso ficará mais explicitado na própria exposição do método.

O método de Descartes se divide em quatro regras, que são:

1. Idéias claras e distintas. Só aceitar como verdade aquilo que se apresentar ao espírito de forma clara e distinta.
2. Análise. Subdividir as dificuldade no conhecimento em tantas parcelas quanto forem necessárias para alcançar as idéias claras e distintas.
3. Síntese. Reagrupar meus pensamentos, ordenado-os, progressivamente, dos mais simples aos mais complexos.
4. E por fim, a Enumeração. Revisar todo o processo em busca de alguma falha, até ter certeza de que todas as etapas foram rigorosamente cumpridas.

Decorre do método, portanto, que todo o conhecimento deve passar pelo crivo desse processo, aonde só pode ser aceito algo como verdadeiro se este se apresenta como claro e distinto, usando, para tanto, única e exclusivamente a razão. Ora, na tradição o conhecimento não se submetia a critérios de clareza e distinção, visto que este estava subordinado aos princípios de autoridade, sendo metodicamente necessário, desse modo, colocar tudo em dúvida.
Passemos, portanto, à dúvida metódica.

4. E se tudo for obra de um gênio maligno?

A dúvida metódica
No entanto, não é suficiente colocar em dúvida apenas o saber adquirido pela tradição, é preciso aprofundar a dúvida, questionando até mesmo a validade dos conhecimentos adquiridos através dos sentidos, visto que até mesmo nossos sentidos podem nos enganar. É este, portanto, o primeiro argumento da dúvida na busca pela certeza fundamental, já que os sentidos humanos me enganam algumas vezes, devo rejeitar como falsa as evidências trazidas por eles. Não posso confiar nas cores, sons, odores, texturas, etc.

Não devemos nos esquecer que o Discurso do método foi escrito como prefácio a ensaios científicos, e que, portanto, buscava estabelecer um método para as ciências. O que se segue é que Descartes precisa aprofundar a dúvida no sentido de alcançar a realidade das coisas e das idéias. Entramos, então, no campo da ontologia. É nas suas Meditações metafísicas que Descartes vai tratar da dúvida nessa esfera.

O segundo argumento apresentado por Descartes é o do sonho, já que, algumas das minhas vivências não passam de sonho, então rejeito como falsas todas as vivências, rejeito, aqui, portanto, a realidade exterior.

A dúvida hiperbólica
Descartes se vê obrigado a radicalizar sua dúvida:

“É o caráter radical do que se procura que exige a radicalização do próprio processo da busca. (…) A reflexão só encontrará a evidência absoluta se partir da negação absoluta de todas as certezas.(…) A geração da certeza a partir da dúvida é que dá à dúvida o seu caráter metódico. Da mesma forma, o aparecimento de uma certeza como que brotada da própria dúvida mostrará que a dúvida terá sido provisória. Mas para que a certeza surgida a partir da dúvida corresponda ao que é exigido pelo método, é preciso que a dúvida seja radical, isto é, atinja inteiramente cada uma das antigas certezas, e hiperbólica, ou seja, deve ser levada ao limite extremo da generalização”.

É nesse sentido, portanto, que é possível compreender o processo da dúvida hiperbólica em Descartes. Mas como tudo deve se submeter à dúvida, até mesmo as verdades ditas matemáticas devem ser questionadas, “ainda que artificialmente”.

O próximo passo proposto pelo filósofo é pôr até mesmo as verdades dos raciocínios matemáticos em dúvida, pois mesmo eles podem ter sido colocados em minha mente por um Deus enganador, ou talvez, por um gênio maligno, que me levasse a crer na verdade das representações matemáticas, fazendo com que elas apareçam como claras e distintas quando na verdade não o são.

Depois de ter lançado tudo à dúvida só resta a Descartes uma certeza, o cogito:

“Porém, logo em seguida, percebi que, ao mesmo tempo que eu queria pensar que tudo era falso, fazia-se necessário que eu, que pensava, fosse alguma coisa. E, ao notar que esta verdade: eu penso, logo existo, era tão sólida e tão correta que as mais extravagantes suposições dos céticos não seriam capazes de lhe causar abalo, julguei que podia considerá-la, sem escrúpulo algum, o primeiro princípio da filosofia que eu procurava”.

Da descoberta do cogito temos como principal conseqüência o primado do sujeito. Posso duvidar de tudo, no entanto, de que existo como coisa pensante, no exercício mesmo da dúvida, disso eu não posso duvidar. O cogito, portanto, não é o resultado de um silogismo, de uma raciocínio, e sim, a constatação de um fato.

O que se busca, é explicitar o caráter metódico da dúvida, e também a maneira como ela é representativa da mudança do paradigma medieval para o paradigma moderno:

“Tenho o direito de supor tais ficções metodológicas da mesma forma que o geômetra tem o direito de supor linhas que de fato não lhe são realmente dadas na figura(…) A ficção, aqui, tem um propósito: ela é instrumental e participa do caráter metódico de uma dúvida que é provisória.

Com a dúvida exercida nessa extensão e nessa profundidade, o problema do conhecimento fica completamente formulado. Isso permitirá que a solução que lhe for dada seja também completa e encontrada no nível do fundamento do processo de conhecer”.

Portanto, a dúvida evidencia, aqui, a predominância do problema do conhecimento, centro das preocupações dos pensadores modernos.

Ao definir, portanto, o primado do
eu pensante como fundamento do conhecimento, Descartes, se propõe um problema: como demonstrar racionalmente a existência do mundo físico? “Assim, antes mesmo de tentar demonstrar racionalmente a existência do mundo físico – onde se situa seu próprio corpo -, Descartes procura provar a existência de Deus, garantia última de qualquer subsistência e, portanto, fundamento absoluto da objetividade”.

“(…) Deus é o fundamento da verdade, ou seja, todas as representações que se me apresentarem metodicamente como claras e distintas estão garantidas por Deus (…)”.

5. Só Deus salva
Como foi apontado no tópico anterior, para Descartes, a realidade objetiva encontra seu fundamento através da prova da existência de Deus.

Um dos argumentos apresentados por Descartes como prova da existência de Deus encontra-se na terceira de suas Meditações metafísicas, e é baseada no argumento ontológico elaborado na Idade Média por Santo Anselmo, que afirma que só existindo realmente Deus/causa pode-se explicar a existência de um ser finito e imperfeito, ou seja, só através da existência de um Ser infinito e perfeito é possível a existência da idéia de infinito e perfeição/efeito, no Eu pensante. Essa idéia estaria na mente do homem como a “marca do artista impressa em sua obra”. Para tanto, Descartes se utiliza do argumento das idéias inatas, que, para ele, essas idéias só podem ter sido colocadas por Deus no espírito do homem. Portanto, é através de Deus que Descartes justifica a relação entre a substância pensante, e a substância extensa, ou seja, a realidade exterior.

Decorre dessa estrutura que Deus é o fundamento e a garantia da verdade:

“Quando o Eu pensante descobre em si a idéia de algo infinitamente feito, descobre também algo que o ultrapassa e que já vinha implicitamente atuando como critério de busca da verdade. Pois quando o Eu pensante se reconhecia imperfeito por errar e duvidar, só o fazia remetendo-se implicitamente a algo mais perfeito do que ele mesmo”.

Portanto, como já foi citado no princípio, para Descartes, a realidade exterior/física, a realidade interior/o Eu pensante, e a realidade metafísica estão estreitamente relacionadas, como se fossem partes da árvore do conhecimento.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Como buscamos demonstrar, é Descartes o maior representante da mudança na visão que o homem tinha sobre o mundo e sobre si mesmo, ou seja, da passagem do paradigma medieval, com a predominância do problema metafísico, para o paradigma moderno e as preocupações com o problema do conhecimento.

Ficou explicitado que é através da dúvida metódica que o filósofo realiza uma ruptura com o princípio de autoridade, e que, é através do cogito que Descartes apresenta o primado do sujeito no processo do conhecimento.

Como últimas considerações é importante ressaltar como centro do legado deixado pelo projeto cartesiano, o primado do sujeito como fundamento do problema do conhecimento, pensamento esse que repercutiria por toda a idade moderna, dando origem a duas correntes filosóficas: o racionalismo, representado por Spinoza, Malebranche, Leibniz, etc; e o empirismo, representado, primeiramente por Francis Bacon, e posteriormente por Locke, Berkeley, Hume, etc; desembocado em Kant, e se desdobrando, de alguma maneira, até os dias de hoje. Dentro dessa discussão podemos classificar, de uma maneira geral, os racionalistas como dedutivistas, e em contrapartida os empirista como representantes do indutivismo.

Podemos representar uma síntese do pensamento cartesiano através do chamado esquema do triângulo de Platão, onde as bases do triângulo representaria respectivamente: o Eu pensante, ou seja, o sujeito; a “coisa extensa”, ou seja, a realidade objetiva; e por fim a “coisa infinita”, Deus, como o intermediário entre uma e outra, portanto responsável pela comunicação entre ambos, é, portanto, Deus quem garante, em última instância, o conhecimento para Descartes.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
COTTINGHAM, John. Descartes: a filosofia da mente de Descartes. Trad. De Jesus de Paula Assis. São Paulo: Editora UNESP, 1999.
DESCARTES, René. Discurso do método; As paixões da alma; Meditações. Col. Os pensadores. São Paulo: Nova Cultural, 2000.
JAPIASSU, Hilton. Curso de filosofia. São Paulo: Ed. Zahar, 1985.
LEMINSKI, Paulo. O catatau. Curitiba: Travessa dos editores, 2004. 3º ed.
PESSANHA, José A. M. Descartes: vida e obra. In: Pensadores. São Paulo: Nova Cultural, 2000.
REALE, Giovani, ANTISERI, Dario. História da filosofia: do humanismo a Kant. Vol. II. São Paulo: Paulus, 1990.
SILVA, Franklin Leopoldo e. Descartes: a metafísica da modernidade. São Paulo: Moderna, 2005.

AVISO [4. sem.]

Atenção às ALTERAÇÕES efetuadas no enunciado, no volume e nas datas!

Trabalho do segundo bimestre de 2007

Discorra sobre a mudança de paradigma filosófico ocorrida na passagem da Idade Média para a Idade Moderna, relacionando os respectivos temas e problemas fundamentais (ser e verdade) com as correspondentes disciplinas filosóficas (metafísica e epistemologia) e enfocando especialmente o criticismo de Kant (idealismo transcendental e autonomia).

O trabalho deve ser elaborado segundo as normas básicas da ABNT (veja o Manual de trabalho acadêmico do UNIFAI).

Volume mínimo SUGERIDO: 6 páginas de texto com fonte tamanho 12 e entrelinha 1,5.

Primeira entrega: até 30/5/07;
Devolução pelo professor: até 6/6/07;
Entrega definitiva: até o dia da PROVA.

Observações
O melhor acesso ao pensamento de Kant é por meio de suas obras Fundamentação da metafísica dos costumes (filosofia prática) e Prolegômenos (filosofia teórica), ambas publicadas no segundo volume dedicado a Kant da coleção Os pensadores (Abril e Nova Cultural, várias edições).

Para uma primeira aproximação ao pensamento kantiano, o aluno pode recorrer aos dicionários (FERRATER MORA, BLACKBURN etc.) e às histórias da filosofia (REALE, VANNI ROVIGHI, WEISCHEDEL etc.), bem como à apresentação ao respectivo volume da coleção Os pensadores.

Intérpretes recomendados: CASSIRER, CAYGILL, FIGUEIREDO, GARCÍA MORENTE, GONZÁLES PORTA, NÓBREGA, REZENDE etc. As referências completas estão nas bibliografias distribuídas e comentadas no início do curso.

AVISO [3. sem. do UNIFAI]

Atenção às ALTERAÇÕES efetuadas no enunciado, no volume e nas datas!
Trabalho do segundo bimestre de 2007

Discorra sobre a mudança de paradigma filosófico ocorrida na passagem da Idade Média para a Idade Moderna, relacionando os respectivos temas e problemas fundamentais (ser e verdade) com as correspondentes disciplinas filosóficas (metafísica e epistemologia) e enfocando especialmente o racionalismo de Descartes (dúvida metódica e cogito).

O trabalho deve ser elaborado segundo as normas básicas da ABNT (veja o Manual de trabalho acadêmico do UNIFAI).

Volume mínimo SUGERIDO: 6 páginas de texto com fonte tamanho 12 e entrelinha 1,5.

Primeira entrega: até 30/5/07 (Vila Mariana) e 1/6/07 (Ipiranga);
Devolução pelo professor: até 6/6/07 (Vila Mariana) e 8/6/07 (Ipiranga);
Entrega definitiva: até o dia da PROVA.

Observações
Descartes trata da dúvida em várias obras, p. ex. no Discurso do método (partes 3 e 4), nas Meditações (1a. meditação) e nos Princípios da filosofia (parte 1). As duas primeiras foram editadas na coleção Os pensadores (Abril e Nova Cultural, várias edições). Do cogito trata Descartes, p. ex., na segunda meditação.

Para uma primeira aproximação ao pensamento cartesiano, o aluno pode recorrer aos dicionários (FERRATER MORA, BLACKBURN etc.) e às histórias da filosofia (REALE, VANNI ROVIGHI, WEISCHEDEL etc.), bem como à apresentação, à introdução e ao prefácio do respectivo volume da coleção Os pensadores.

Intérpretes recomendados: ALQUIÉ, COTTINGHAM, KOYRÉ, PASCAL e, sobretudo, Franklin Leopoldo e SILVA (com seleção de textos). As referências completas estão nas bibliografias distribuídas e comentadas no início do curso. Há ainda um número especial da revista Scientific American (Brasil): “Descartes: a razão sem fronteiras” (Gênios da ciência).