Filosofia e Senso Comum

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«Mas é isso, dir-se-á, que faz a razão pura quando abre perspectivas para além dos limites da experiência? Nada mais do que dois artigos de fé? O senso comum também poderia fazer outro tanto | sem necessidade de consultar os filósofos!

Não quero aqui exaltar o serviço prestado pela filosofia à razão humana com o esforço penoso da sua crítica, embora o resultado devesse ser apenas negativo […]. Mas exigis, pois, que um conhecimento que interessa a todos os homens ultrapasse o senso comum e só vos seja revelado pelos filósofos? Precisamente isso que censurais é a melhor confirmação da verdade das afirmações até aqui feitas, porque descobre o que no início não se podia prever, ou seja, que a natureza, naquilo que interessa a todos os homens sem distinção, não pode ser acusada de ter distribuído com parcialidade os seus dons e que, em relação aos fins essenciais da natureza humana, a mais alta filosofia não pode levar mais longe do que o faz a direção que a natureza confiou ao senso comum.» (Immanuel Kant. Crítica da razão pura, B 858-9; negrito meu, EDG)