Jornalista pira na batatinha

O jornalista Juca Kfouri publicou ontem, dia 5, no seu blog um comentário (O Rei pirou) sobre algumas frases que o Rei Pelé teria acabado de pronunciar. O texto do jornalista segue em negrito, e logo depois os meus comentários.

Pelé disse agora há pouco que “nós jogadores temos direito à segurança”.
Verdade: todo jogador tem direito à segurança, como todo cidadão; as “trucidas” organizadas acham que não, que jogadores não são trabalhadores nem cidadãos, mas alguma espécie de cruzado ou gladiador ou talvez mercenário. E os clubes milionários também não estão muito preocupados com a segurança de seus funcionários.
Mas ele deixou de ser jogador desde 1977, lá se vão 37 anos!
E daí? O Juca só está tratando do Pelé porque ele continua falando como (um eterno) jogador.
Tudo bem, digamos que é uma licença poética aceitável, para quem, calado, segundo Romário, é isso mesmo, poeta.
Licença poética é outra coisa. A hipérbole é perfeitamente compreensível.
Ele disse, também, que, no entanto, “não é hora de greve, é hora de faturar com a Copa” e que trabalhou “durante quatro anos pedindo votos para o Brasil” recebê-la.
Futebol é show business, e, como bom empresário, que, aliás, aprendeu apanhando, o Pelé sabe que o show não pode parar.
Pelé não trabalhou nem quatro segundos para tanto: o Brasil foi candidato único.
Como se fosse tão simples assim receber uma copa do mundo! O Juca devia explicar então por que o Brasil foi o único candidato. E por que um e outro país se prontificou a substituir o Brasil, caso este falhasse.
O pior ainda nem foi nada disso.
O pior foi ele dizer que não cabe protestar durante a Copa “porque o futebol não tem nada a ver com a corrupção no país”.
Ora, bolas! O Rei pirou de vez!
Onde andam João Havelange e Ricardo Teixeira, os dois maiores símbolos do poder de nosso futebol fora dos gramados? Por que estão escondidos?
Pois não foram as acusações do próprio Pelé, nos anos 90, que acabaram por ajudar a instalação das CPIs da CBF e do Futebol, na Câmara dos Deputados e no Senado?
O Pelé não disse que o futebol não é corrupto. Claro que é, e claro que ele sabe muito bem disso. Ele disse a verdade: o futebol não tem nada que ver com a corrupção endêmica deste país, contra a qual o povo tem protestado. A corrupção não de cartolas, mas de governantes, que não devolvem ao povo aquilo que lhe tiram a título de impostos e taxas destinados justamente a financiar as políticas públicas, que incluem sim o futebol entre outros esportes e lazeres.
Verdade que depois, no começo deste século, ele participou do infame “Pacto da Bola”, com alguns que acusou, Havelange e Teixeira entre eles.
Hum… por que te preocupas com o cisco no olho do outro, cara-pálida, e não com se tens uma trave no teu? Qual é o empresário que já não trabalhou com corrupto? O Juca não trabalhou na Abril, aquele bastião da moralidade nacional? E na Playboy e na Veja… pfui!

Eita, Edson, ainda bem que aquilo que Pelé fez em campo é impossível de ser manchado.
Eita Juca, por que você não vai aprender a escrever parágrafos de mais de duas linhas, antes de se meter em assunto de gente grande? Sim, a reputação de Rei do Futebol não pode ser manchada, mas a reputação de um jornalista qualquer é facilmente manchada. Para ser manchada, porém, é preciso antes que exista.
Por estas e por outras é que me afastei do futebol!

Incompetência administrativa

Folha de S. Paulo de hoje, 31-1, noticia que o secretário estadual da Educação de São Paulo, Herman Voorwald, reconheceu ontem que algumas escolas da rede ficaram sem professor nesta semana devido a um erro administrativo.
Até aqui se trata apenas de incompetência administrativa, aquilo que o secretário chama eufemisticamente de “erro”. Mas a seguir vem a emenda do soneto:

Os contratos de 280 professores não foram encerrados até 18 de dezembro, data limite para que os temporários ficassem 40 dias fora das escolas, evitando assim que se configurasse vínculo empregatício.

Essa é a situação das nossas escolas. Professores sendo ludibriados pelo Estado do mesmo modo que empregados domésticos o são –mesmo depois da Emenda Constitucional 72/2013– por famílias que não querem contrair com eles “vínculo empregatício”.
O resultado imediato é que parte das faltas dos professores foi coberta por outros docentes temporários e eventuais. Não se sabe ao certo a quantidade de escolas sem professores.
O resultado mediato é o descalabro puro e simples da educação pública no estado mais “desenvolvido” da federação.