Resposta mortífera

Toda resposta mata uma possibilidade. Estou pensando na aula de filosofia. (Se ocorre a mesma coisa em toda e qualquer aula ou, no limite, em toda e qualquer atividade teórica, isso eu não sei — o que, aliás, parece-me ótimo.) E na resposta do professor.

E mata uma possibilidade não só porque a resposta, ainda que seja aberta, complexa ou múltipla, é apenas uma entre muitas outras possíveis. Mas, principalmente, porque, quando responde à própria pergunta, o professor tira dos alunos a possibilidade da descoberta ou, no mínimo, da reflexão.

A aula de filosofia deve, pois, consistir no ato (do professor) de perguntar –e no correlato ato reflexivo (do aluno) de responder.