EaD na Second Life

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/informat/fr3001200816.htm

FOLHA DE SÃO PAULO

São Paulo, quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Instituições migram para o Second Life

DA REPORTAGEM LOCAL

Uma ilha do Second Life concentra 35 instituições de ensino brasileiras. Nem todas existem no mundo físico, mas mesmo assim acompanham a tendência global de inúmeras iniciativas educacionais nesse ambiente virtual.

A ilha Vestibular Brasil foi feita para ser “uma cidade universitária virtual, ou seja, um local onde existam várias instituições de ensino, onde os alunos, os futuros alunos e os professores possam interagir livremente”, segundo Maurício Garcia, diretor da Garcix Inovações, que criou o local, com apoio da ABMES (Associação Brasileira das Mantenedoras de Ensino Superior).

Grande parte dos projetos não tem como fim principal atividades pedagógicas inovadoras. No momento, as instituições usam o Second Life como estratégia de marketing.

Carlos Valente, professor de tecnologia da Anhembi Morumbi, que está no mundo virtual, já escreveu, em co-autoria com João Mattar, um livro sobre o uso do Second Life como ferramenta pedagógica -“Second Life e Web 2.0 na Educação” (Ed. Novatec, R$ 49).

Ele afirma que o mundo virtual tem potencial pedagógico. Valente cita a interação possível para conferências e aulas. Ele também destaca o conteúdo multimídia e a participação dos usuários na criação de ambientes, como na web 2.0. (GVB)

telefone celular será o computador popular do futuro

O pensador Derrick de Kerckhove, que realizou uma série de palestras no Brasil no início deste mês

“Esqueçam o laptop de US$ 100 de Negroponte”, proclama cientista canadense pai da psicotecnologia


por RODOLFO LUCENA

D OUTOR em sociologia da arte e em língua e literatura francesa, Derrick de Kerckhove, canadense nascido na Bélgica em 1944, dirige há mais de 20 anos o Programa McLuhan em Cultura e Tecnologia da Universidade de Toronto. Ele esteve no Brasil no início do mês para uma série de palestras e falou à Folha, em São Paulo. A seguir, os principais trechos da entrevista.

FOLHA – O senhor inventou o termo psicotecnologia. O que é esse conceito e como chegou a ele?
DE KERCKHOVE – Foi pelas relações com a linguagem. A linguagem está relacionada com nossa mente, com nossos pensamentos. Tem um poder próprio, de ação, de meditação, de ordenação de idéias, quando é escrita. Toda tecnologia de suporte à linguagem é uma psicotecnologia. É uma tecnologia que, via linguagem, conecta o indivíduo, o interior e o exterior. A psicotecnologia é, predominantemente, uma tecnologia da linguagem. E cada vez que muda o suporte para a linguagem, muda a sensibilidade do usuário e da cultura.

FOLHA – Como isso acontece?
DE KERCKHOVE – Um exemplo é o alfabeto, que criou o ser privado, um sentimento muito forte de si mesmo, de identidade própria. Uma diferença entre o mundo lá de fora, que era objetivo, e essa pessoa aqui, subjetiva. Foi uma mudança poderosa, pois isso não existia na tribo. Na tribo, você era parte dela, você se misturava, mesclava, obedecia aos comandos, respondia às exigências, mas não se abstraía do coletivo. Você estava sempre dentro da tribo ou da família. Na sociedade oral, não havia uma individualidade muito forte, uma referência sobre si mesmo.

Com a psicotecnologia, você tem esse sentimento de forma muito forte. E com a internet você tem o maior casamento mítico de todos, o casamento da velocidade máxima com a complexidade máxima: a complexidade da linguagem e a velocidade da luz. Nós falamos com a velocidade da luz. As psicotecnologias estão constantemente emergindo…

Seja o telefone celular, que concentra toda a história das comunicações em uma pequena máquina que você leva no bolso, ou seja a altíssima complexidade dos supercomputadores ou dos computadores quânticos, que virão no futuro… Ou qualquer software, ou a web 2.0: você pode multiplicar a inteligência conectada na web 2.0 em qualquer configuração. Pode ser a Wikipédia, que é uma forma, ou o del.icio.us ou o furl, que são softwares sociais.

Qualquer variedade de interação humana, software, isso é psicotecnologia. Um blog é uma psicotecnologia, é toda uma nova forma de conectividade entre as pessoas, pois você não apenas coloca lá seus pensamentos e idéia, mas o blog funciona com os comentários dos visitantes… Todas essas coisas estão acontecendo mais rapidamente do que nós conseguimos absorvê-las…

Vivemos hoje a era sem fio, que é também experimentada aqui no Brasil. Pelo que eu já vi, melhor aqui do que em outros lugares do mundo, porque você tem aqui -nos hotéis, pelo menos- um acesso melhor, sem ter de passar pelos rituais exigidos na Europa. É uma sociedade muito conectada…

FOLHA – Mas apenas para pouca gente…
DE KERCKHOVE – Sim e não. Isso ainda está para ser visto. Há uma discussão hoje sobre conectar as favelas. É preciso ter uma solução, e isso poderia ser testado, pelo menos em uma delas. Sim, eu concordo que muita gente está excluída desse processo, mas é muito menos do que se pensa, se você considerar os telefones celulares. Todo mundo tem telefone…

FOLHA – Pré-pago.
DE KERCKHOVE – O futuro próximo do telefone celular é ficar mais e mais parecido com um computador. Esqueça Negroponte e seu laptop de US$ 100. O que teremos será um celular de US$ 50, de US$ 20, que vai fazer tudo o que você precisa.

Estou querendo dizer que, na verdade, não há uma divisão digital, mas sim um choque. Os dois grupos se chocam, se encontram. Sim, há enormes distâncias econômicas e sociais, muito fortes. Mas você não pode simplesmente dizer que as duas coisas são iguais. A única relação possível do mundo digital com as contradições sociais e econômicas é no sentido de melhorá-las, de reduzi-las. Além disso, as pessoas da favela, elas estão tendo acesso. Ok, é em LAN houses, mas estão lá.

FOLHA – E qual o impacto disso na vida das pessoas?
DE KERCKHOVE – Globalização. Quando você carrega o mundo em seu bolso, você é global, querendo ou não, sabendo ou não, gostando ou não. Nós estamos globalizados, nós estamos conectados com o resto do mundo. Nós já estávamos ligados pelas notícias, pela televisão, que traz as notícias do mundo para nossa sala, mostrando a chegada do homem à Lua, mostrando o mundo… Nós fomos socializados pela televisão de uma forma global, com certeza, e é por isso que McLuhan falava da aldeia global. Mas agora nós somos cidadãos globais, cidadãos do mundo. E isso é por causa dessa coisinha que carregamos no nosso bolso.

FOLHA – O cidadão não é mais passivo…
DE KERCKHOVE – De jeito nenhum, e isso tem sido de grande ajuda para a humanidade, especialmente para as sociedades mais atrasadas, para as pessoas que não sabem escrever. Essas pessoas agora podem falar pelo telefone, conversar, dar e receber notícias, podem perguntar sobre a situação do mercado na área em que eles atuam, enfim, há muita coisa que elas podem fazer.

A sociedade oral está recuperando um pouco do poder e da importância que perdeu para a sociedade letrada. E os aspectos locais são enriquecidos pela conexão global. A aldeia local, onde nós estamos, onde atuamos, trabalhamos, é enriquecida pela dimensão global. Nós funcionamos ao mesmo tempo local e globalmente, e nossa identidade está mudando, nossa sensibilidade está mudando.

FOLHA – E isso é bom?
DE KERCKHOVE – Sim, é muito positivo. O mundo está mudando, deixando de ser planejado e projetado e organizado, para ser emergente, auto-organizado… Claro que há aspectos negativos… O terrorismo é um aspecto emergente…

FOLHA – E há regras, governos que querem mandar no mundo…
DE KERCKHOVE – Você tem razão, e isso é um problema, e nós teremos de enfrentar esse problema. A sua personalidade digital é cada vez menos uma propriedade sua, e mais uma propriedade do conjunto. McLuhan costumava dizer: “Quanto mais sabem a seu respeito, menos você existe”. Sua persona digital escapa cada vez mais de seu controle. Você não controla sua reputação, você não controla os dados sobre você que são coletados por bancos.

McLuhan dizia que a tecnologia iria nos apagar, apagar o indivíduo e deixar tudo sob o controle do Estado ou de algum sistema regulador, um Big Brother automatizado. Essa possibilidade existe…

Mas a experiência de liberdade… Uma vez que essa idéia entra na sociedade…

Acho que nós vamos nos adaptando, vamos descobrir que podemos manter alguma coisa de nossa identidade ao mesmo tempo em que hiperconectamos. Vamos encontrar uma solução de compromisso, um meio-termo.

Já existe, entre mim e o exterior, entre público e privado. No Facebook, você está público, mas você faz dele um uso particular, ele é de seu uso particular. Isso é bom? Nós já passamos do estágio do bem e do mal.

McLuhan conceituou a aldeia global
O teórico da comunicação Marshall McLuhan popularizou a expressão aldeia global. Em seu livro “A Galáxia de Gutenberg”, lançado em 1962, o canadense refere-se a uma nova forma de organização social proporcionada pelas mídias eletrônicas, que, ao alterar os processos cognitivos, suplantariam a cultura impressa. Para McLuhan (1911-1980), os meios eletrônicos levariam a humanidade a uma identidade coletiva com base tribal -a aldeia global. Antes disso, a cultura visual dominante seria fragmentária. Esse conceito de McLuhan, já popular à época do lançamento do livro, alcançou mais visibilidade com a disseminação da internet. O canadense é apontado por muitos como um visionário da rede mundial. [FOLHA 28/11/07]

cyber university

Universidade japonesa dá cursos pelo celular

A Cyber University, a única universidade japonesa que oferece todos os seus cursos pela internet, começou nesta quarta-feira a oferecer aulas também pelo celular.

As aulas, que fazem parte do curso sobre os mistérios das pirâmides, consistem basicamente em imagens de Power Point com textos e imagens, com a locução de um professor ao fundo, que pode ser ouvida pelos fones do aparelho.

No caso das aulas para computador, o sistema é mais completo: imagens e texto ficam no centro da tela, enquanto um vídeo com a palestra do professor aparece no canto.

A universidade, que foi inaugurada em abril deste ano e tem a permissão do governo de conceder diplomas de bacharel, tem 1.850 estudantes.

Atualmente, a universidade virtual oferece cerca de 100 cursos, como cultura chinesa antiga, jornalismo on-line e literatura inglesa.

Por enquanto, a versão para celulares terá apenas o curso sobre as pirâmides, mas deve ser expandida em breve.

De acordo com Sakuji Yoshimura, que dirige a Cyber University e ministra o curso sobre pirâmides, a universidade oferece oportunidade às pessoas que têm dificuldades de ir a uma universidade tradicional, incluindo os que trabalham, deficientes físicos e doentes.

“Nossa obrigação como educadores é corresponder às necessidades de quem quer aprender”, disse o diretor.

O curso está disponível apenas nos aparelhos da fabricante de celular Softbank, que é dona de 71% da universidade virtual. Os alunos não precisam pagar uma mensalidade à faculdade, mas têm de arcar com os custos da operadora. [Folha Online com informações da Associated Press 28/11/07 – 08h55]

alunos avaliam professores

A Justiça da Alemanha decidiu na terça-feira (27) que os estudantes do país têm o direito de classificar o desempenho de seus professores e publicar esses opiniões sobre as aulas na internet, desde que não difamem os docentes.

O tribunal de Colônia negou uma ação de um professor que acusava os donos do site http://www.spickmich.de de violar sua privacidade. Manteve, portanto, a decisão de um tribunal de instância inferior.

O professor teria obtido de seus alunos uma nota 4,6 no site –uma avaliação bastante negativa, já que, nessa escala, um é a melhor marca e seis é a pior.

No site, os alunos podem classificar os professores em categorias como “legal e engraçado”, “sexy” e “dá notas justas”. A página, que tem cerca de 150 mil usuários, foi criada neste ano e permite que os alunos discutam diversos assuntos relacionados às aulas, de poesia à performance de seus professores. [Folha Online com informações da France Presse 28/11/07 – 08h09]

tudo é tv

Mercado de computadores pessoais encolhe no Japão

CONEXÕES Consumidores substituem PCs por TVs, celulares e consoles de jogo que se conectam à internet

por HIROKO TABUCHI

Masaya Igarashi deseja comprar fones de ouvido de US$ 200 para seu novo iPod Touch e está indeciso entre os consoles de game Wii, da Nintendo, e PlayStation 3, da Sony. Quando tiver economizado novamente uma quantia considerável, planeja gastar seu dinheiro com uma câmera digital ou com uma TV de tela plana.
Há uma ausência patente da lista de compra do estudante: um novo computador.

O espaço dos PCs nos lares japoneses diminui à medida que seu antes notável monopólio sobre o poder de processamento deixa-se suplantar por equipamentos eletrônicos tão práticos quanto os telefones celulares que funcionam como computadores de bolso, os avançados consoles de jogo conectados à internet e as câmeras digitais de vídeo.

O mercado de PCs no Japão passou a encolher, levando analistas a se perguntarem se o país se tornaria o primeiro grande mercado a testemunhar uma diminuição no uso de PCs 25 anos depois de esse tipo de equipamento ter revolucionado o mundo dos aparelhos eletrônicos caseiros.

“O mercado de PCs caseiros perde espaço para outros produtos como as TVs de tela plana e os celulares”, afirmou Masahiro Katayama, chefe de pesquisa da empresa de consultoria de mercado IDC. O número de PCs distribuídos no Japão caiu por cinco trimestres consecutivos, fazendo desse o primeiro encolhimento duradouro do volume de vendas de PCs em um grande mercado, segundo o IDC.

E a tendência não dá sinais de reversão: no segundo trimestre de 2007, a quantidade de desktops vendidos sofreu uma queda de 4,8%; a de laptops, de 3,1%.

O volume de vendas da NEC e da Sony vem caindo desde 2006 no Japão. A Hitachi afirmou em outubro que se retirará por completo do negócio de computadores caseiros.

Os fabricantes de computadores realizam campanhas agressivas de publicidade nos mercados em que seus produtos registram aumentos de venda, lembrando aos detratores que os computadores continuam essenciais para realizar as conexões do mundo digital.

Pelo celular
Não há dúvidas sobre os motivos pelos quais os consumidores passaram a largar mão dos PCs. Milhões de pessoas baixam músicas diretamente para seus celulares, e muitas mais usam esses aparelhos para realizar compras on-line ou brincar com joguinhos. As câmeras digitais conectam-se sem intermediários a impressoras e TVs de alta definição a fim de permitir a visualização de fotos.

A rede de relacionamentos sociais que mais cresce no Japão, a Mobagay Town, foi projetada para ser usada somente em celulares. Outras redes, como a mixi, o Facebook e o MySpace, podem ser acessadas e atualizadas por telefones.

“Pensamos nos japoneses como “workaholics”, mas muitos não levam trabalho para casa. Quando saem dos escritórios, eles se satisfazem em ler e-mails ou baixar música em seus celulares”, disse Damian Thong, analista de tecnologia. [FOLHA 21/11/07]