O que há de velho na “nova” direita? [2]

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Antes, porém, de tratar da éminence grise da nova direita tupiniquim, Olavo de Carvalho, gostaria de chamar a atenção do raro leitor para duas coisinhas.
Primeira. Parece-me que Joel Pinheiro se esqueceu de alguns nomes importantes da cena neodireitista nacional, p.ex., o de Demetrio Magnoli , sociólogo e geógrafo brasileiro, e de João Pereira Coutinho, jornalista português, ambos colunistas da Folha de S.Paulo. – É o caso de perguntar-se se o grande jornal paulistano não está ele mesmo dando uma guinada à direita, uma vez que em seu quadro de articulistas se encontram agora nada mais nada menos que os senhores J.P. Coutinho, L.F. Pondé, R. Azevedo e D. Magnoli!
Não, a pergunta foi apenas retórica, pois, embora a Folha, como a grande mídia em geral, pensa para a direita, ela é provavelmente um dos jornais mais politicamente equitativos do Brasil. Assim, juntam-se aos senhores mencionados, também intelectuais de esquerda, como o professor de filosofia Vladimir Safatle, o jornalista Ricardo Melo, claramente de esquerda, e o economista Marcelo Miterhof, de centro-esquerda.
Segunda. Joel Pinheiro (da Fonseca), o autor do artigo em questão, é o editor da revista Dicta & Contradicta, editada pelo IFE – Instituto de Formação e Educação, “uma associação sem fins lucrativos que visa a estudar, criar e divulgar no Brasil conhecimento nos campos das Humanidades, das Artes e da Filosofia”. De periodicidade semestral, é uma publicação bem cuidada que traz artigos de fundo “sobre os grandes temas da cultura ocidental: a ética, a filosofia, a literatura e as artes, sob uma perspectiva de longo prazo”. Pretende-se “desvinculada da política partidária e com uma vocação, na medida do possível, universal”.
Mas quando se examina um exemplar qualquer dessa revista (cuja publicação parece estar atrasada) , a impressão que se tem é que, em vez de Dicta & Contradicta, ela deveria chamar-se apenas Dicta, como é aliás o seu endereço eletrônico. Sim, pois, seu perfil é claramente alinhado à – direita. A epígrafe do primeiro artigo da home page da revista (Referências) é de autoria de um genial filósofo colombiano, o reaccionario Nicolás Gómez Dávila. Posições heterodoxas, quando aparecem em suas páginas, são apenas objeto de crítica. Onde está a seção “O outro lado”?
Isso quer dizer que o senhor Joel esqueceu, além do Coutinho e do Magnoli (e talvez do historiador, obcecado por mensaleiros, Marco Antonio Villa), também de si mesmo! Claro, talvez se trate de simples modéstia. Talvez ele não se considere tão importante como as personagens que nomeia. Talvez. Mas o fato é que Joel Pinheiro é, sim, um integrante da tal ambígua nova direita. Sugiro ao leitor interessado que faça uma busca na Internet para verificar a procedência do que acabo de dizer.
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