Heurística

hagemann-kant– Professor, em que consiste, afinal, a assim chamada Revolução Copernicana, de Kant?

– Consiste em considerar, hipoteticamente, que o sujeito é quem determina a forma do conhecimento do objeto, e não o contrário.

– Não entendi, professor!

– Consiste em tentar tirar o osso da carne de galinha, e não o contrário.

Filosofia e Senso Comum

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«Mas é isso, dir-se-á, que faz a razão pura quando abre perspectivas para além dos limites da experiência? Nada mais do que dois artigos de fé? O senso comum também poderia fazer outro tanto | sem necessidade de consultar os filósofos!

Não quero aqui exaltar o serviço prestado pela filosofia à razão humana com o esforço penoso da sua crítica, embora o resultado devesse ser apenas negativo […]. Mas exigis, pois, que um conhecimento que interessa a todos os homens ultrapasse o senso comum e só vos seja revelado pelos filósofos? Precisamente isso que censurais é a melhor confirmação da verdade das afirmações até aqui feitas, porque descobre o que no início não se podia prever, ou seja, que a natureza, naquilo que interessa a todos os homens sem distinção, não pode ser acusada de ter distribuído com parcialidade os seus dons e que, em relação aos fins essenciais da natureza humana, a mais alta filosofia não pode levar mais longe do que o faz a direção que a natureza confiou ao senso comum.» (Immanuel Kant. Crítica da razão pura, B 858-9; negrito meu, EDG)

Argumento Moral

depositphotos_11912807-stock-photo-germany-circa-1974-a-stampO modo kantiano, i.e., transcendental-idealista de justificar a crença na existência de Deus consiste, grosso modo, em argumentar que uma pessoa que crê ser racional agir moralmente está agindo como se Deus existisse, e que, ipso facto, seria pragmaticamente contraditório se essa pessoa negasse a existência de Deus, mesmo que esta não possa ser (teoricamente) demonstrada.

Drops de filosofia [8]

Determinação e condicionamento

Do ponto de vista da gnosiologia (teoria do conhecimento), fala-se de determinação quando o sujeito cognoscente cria, ou seja, determina formal e materialmente o seu objeto. Essa é a tese do idealismo absoluto, do solipsismo e do imaterialismo (Berkeley).

Por outro lado, fala-se de condicionamento, quando o sujeito cognoscente apenas condiciona formalmente o seu objeto. Tese essa defendida pelo idealismo transcendental de Kant, p. ex.