Carta a um futuro olavette [3]

Caro P.,

Não esperava que você fosse defender OC. Pretendi apenas chamar a sua atenção para alguns pontos problemáticos da “obra” do OC.

OC usa a argumentação ad hominem como método, não no sentido falacioso mas no daquilo que ele chama de “paralaxe cognitiva”, o que, na verdade, não é nada mais que a velha conhecida “contradição pragmática”: identificar se o discurso contradiz a própria posição ou atitude do sujeito do discurso. P.ex., quando digo “eu não sei nada de português”, no ato mesmo de fazer essa afirmação eu a estou contradizendo, pois a faço em português.

O que lhe tenho sugerido é que aplique esse “método” ao próprio OC e a seus seguidores.

Reparei, p.ex., que entre seus discípulos há muitos que se dizem católicos tradicionalistas ou conservadores e, ao mesmo tempo, partidários do liberalismo político-econômico. Ora, meu caro, isso é uma contradição evidente, porque o magistério da Igreja CAR há muito condenou o liberalismo. (O distributivismo do Chesterton, baseado no princípio de subsidiariedade da doutrina social da Igreja, é algo bem diferente do liberalismo!)

Para mim, não só o liberalismo é anticatólico, mas anticristão. E não apenas isso: é imoral, como são imorais o capitalismo e o comunismo (sabendo embora que estes dois são fatos, enquanto o primeiro é uma ideologia). Mas não estou discutindo o tema, e sim chamando a atenção para um tipo de contradição muito comum na obra do OC e nos textos de seus alunos: um autointitulado X que nega X toda vez que abre a boca.

Eu havia decidido não ligar mais para o OC e a sua seita, mas, refletindo melhor, dei-me conta de que, como conhecedor das estratégias dessa “organização” e como professor, eu tenho o dever moral de alertar os (ex)alunos, (ex)colegas e amigos para o problema.

Mas não faço nenhuma questão de ficar discutindo o assunto. Só entro nele quando chamado a isso.

Abraço,

e.