Mestre revolucionário

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Só hoje, depois de ano e meio, é que vim a saber da morte do maestro Alberto Jaffé (13-6-2012).

Professor, violinista, maestro e compositor, foi o criador do método que leva o seu nome, Método Jaffé, ainda hoje utilizado em todo o país e que revolucionou o ensino de música com o uso de semelhanças entre instrumentos para promover o ensino coletivo de cordas.

Quando Alberto Jaffé tinha oito anos, deu seu primeiro recital de violino no Rio de Janeiro. Com o passar do tempo solidificou uma carreira de sucesso, com prêmios e apresentações em muitos países, principalmente ao lado da esposa, a pianista Daisy de Luca. Também atuou como solista em orquestras brasileiras e de Israel, Bélgica, Espanha, Alemanha, América Central, México e dos EUA.

Depois de fazer sua pós-graduação na Alemanha, com Max Rostal, Alberto Jaffé dirigiu o Curso Internacional de Verão Pro Arte, e muitos outros cursos. De 1982 a 1985, ele foi codiretor do Departamento de Música da National Academy of Arts in Champaign, em Illinois, e também professor de violino, viola e música de câmara na University of Illinois.

No início da década de 1970, com a experiência adquirida no ensino de música, criou o referido método de ensino coletivo de instrumentos de cordas, que colaborou com a formação de muitos dos principais músicos em atuação e até hoje é utilizado nas principais escolas de música do país.

Uma de suas alunas, a vioinista Adriana A. Maresca, toca na Orquestra Sinfônica de S.André e leciona na Escola Casa da Música, onde é professora de violino do meu filho, Tomás.

Tive a oportunidade de ser eu também aluno do maestro Jaffé no final da década de 1970 (!), na extinta Orquestra de Cordas do Sesc, que funcionava na filial da rua Dr. Vila Nova, na Vila Buarque, centro da cidade de S.Paulo. Embora tenha participado apenas um ano do projeto, foi uma experiência marcante. Em pouco tempo, estávamos eu e colegas já tocando versões simplificadas de grandes clássicos. Cheguei, aliás, a participar –como integrante do naipe de terceiros (!) violinos– da gravação de um LP.

Mas o melhor de tudo foi sem dúvida a convivência com a figura humana do saudoso maestro. Um homem que, apesar do talento e do reconhecimento internacional, era sempre acessível, compreensivo e de muito bom humor.

Fica aqui, pois, ainda que com atraso, a minha singela homenagem ao grande mestre Alberto Jaffé.