Economia política

FSP, 5-11-14

Antonio Delfim Netto

A economia política nasceu com a pretensão de ajudar o crescimento econômico das nações. Suas origens mais recuadas mostram com clareza a preocupação constante sobre a “pobreza e a opulência das nações”. É o caso, por exemplo, do espanhol Luis Ortiz (1558), do napolitano Antonio Serra (1613), do francês Antoine de Montchrétien, autor do primeiro “Tratado de Economia Política” (1615), dos mercantilistas ingleses Thomas Mun (1621), Gerard de Malynes (1601) e Edward Misselden (1622), e dos cameralistas germânicos, particularmente Johann Joachim Becher (1668) e Joseph R. von Sonnenfels (1763).

Todos eles cuidaram, explicitamente, de “receitas” (controle, estímulo, regulamentação) que levariam os Estados à opulência. A concepção de alguns deles (particularmente os cameralistas) escondia uma espécie de “ditador benevolente” de cuja vontade e determinação decorreria a felicidade geral.

Mas o que é essa “opulência”? Como ela é medida?

Ela implicava em maior bem estar da população internamente e maior “poder” nacional. Trata-se de um fenômeno complexo, que já provocou o aparecimento de bibliotecas para explicá-lo. Como os economistas têm uma compulsão para “economizar” na quantidade de variáveis de seus modelos, eles radicalizaram e medem a “opulência” e o “poder” por um indicador: o PIB “per capita”. Há desenvolvimento quando o Produto Interno Bruto cresce a uma taxa maior do que a da população, ou seja, quando cresce a produtividade do trabalho.

O lento avanço da percepção que “quando os indivíduos, no processo de troca, cuidam dos seus próprios interesses, a interação entre eles parece produzir uma ordem espontânea que beneficia a todos” encontrou sua floração mais clara e vigorosa em Adam Smith.

Quando ele criticou os autores mais antigos e encontrou no mercado (uma instituição que o homem descobriu na antiguidade) o fio condutor para organizar a compreensão do funcionamento do sistema econômico, deu ao seu livro o título “Uma Investigação sobre a Natureza e Causas da Riqueza das Nações” (1776), confirmando a eterna preocupação dos seus antecessores.

De que depende, afinal, a “riqueza das nações”, ou o seu desenvolvimento econômico? Qual a receita de Adam Smith?

A resposta ele já havia dado anteriormente: “Para transformar um Estado do mais baixo barbarismo ao mais alto grau de opulência são necessários: paz, tributação leve e uma tolerável administração da justiça. Todo o resto vem pelo curso natural das coisas” (“Essays in Philosophical Subjects”, 1755). Os três fatores estão ligados à necessária atuação do Estado, o que Smith nunca ignorou…

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/194050-economia-politica.shtml

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