Ninguém

Muita gente está estarrecida (como a professora Marilena Chaui), com o fato de que –apenas quinze meses depois da Primavera Brasileira– os conservadores tenham saído fortalecidos das eleições, sobretudo em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país.

Sinceramente, eu não estou. O movimento de 2013 se caracterizou justamente por seu apartidarismo, ou seja, por ser apolítico no sentido formal: os manifestantes saíram às ruas mais para protestar contra os políticos profissionais do que para fazer reivindicações a estes mesmos políticos. Era natural, portanto, que essa gente não se sentisse disposta a converter o seu inconformismo em votos.


Como informa o quadro acima, o número total de eleitores que votaram em branco ou anularam o voto ou simplesmente não votaram no primeiro turno chegou a quase trinta e nove milhões, ou seja, a mais de 27% do eleitorado brasileiro.

Parece-me razoável supor que boa parte dos manifestantes do ano passado pertença a esse universo enorme de eleitores que optaram por se calar agora.

Refiro-me a aqueles que efetivamente saíram às ruas para manifestar sua insatisfação e não àqueles que simplesmente foram na onda, para sentir-se parte de algo maior ou “fazer história” — registrando devidamente sua presença em selfies.

Mas é claro que esse fenômeno não é fácil de compreender, muito menos de definir, uma vez que não se identifica com nenhuma instituição política ou de qualquer outra natureza. É –ou foi– um movimento. Sem rosto (apesar dos milhões de selfies!). E sem nome. Ou melhor: o nome dessa legião é Ninguém.

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