Carta-resposta pública à Presidenta

Fortaleza, 6-8-14

De: Alexandre Araújo Costa

Para: Sra. Dilma Rousseff

Gostaria de responder à sua pergunta, por mais que tenha sido ela meramente retórica e carregada da tentativa de ironizar e desqualificar visões diferentes da sua.
Se só existissem, realmente, duas opções, ou seja, apagar a luz e impedir que os povos do Xingu continuassem a viver, eu apagaria a luz. Se só existissem duas opções, entre aumentar as verbas da educação e jogar toneladas de carbono para a atmosfera acelerando a inviabilização das condições de sobrevivência das gerações futuras, eu ainda assim me manteria fiel à causa pétrea de manter petróleo e carvão, em sua maioria, no subsolo.
Mas o mundo não é assim, binário e, portanto, permita-me não aceitar a sua chantagem. Sim, a palavra é essa: chantagem!
Não precisamos “apagar a luz”. Podemos reorganizar nossa matriz energética, democratizando-a, barateando-a para o usuário final, com ênfase nas mais modernas tecnologias de energias renováveis, privilegiando a geração elétrica via solar residencial, aumentando a eficiência energética e reduzindo o ritmo tresloucado de aumento perdulário da demanda. Energia solar sim; Belo Monstro não. Eólicas, desde que respeitando nossas comunidades costeiras, sim; Termelétricas não. Energia das ondas e marés, com estudos adequados para minimizar o impacto no litoral e estuários, sim; Nuclear não.
Você, presidenta, e os partidos que a sustentam, juntaram-se vergonhosamente, num único discurso, a velhacos como os CEOs das petroquímicas que se tornaram dona do petróleo junto à costa brasileira (vide resultado dos leilões do petróleo): Shell, Total, chinesas, Exxon, BP, Chevron… É o blablablá de que o futuro da Educação e Saúde em nosso País está ligado à extração de petróleo, principalmente no pré-sal. Nada mais falso, quando sabemos que a “parte do leão” ficará com as corporações e que os recursos desse crime climático que ficarem com o Estado brasileiro serão insuficientes. Por que a senhora não fala em auditar uma dívida que restringe a aplicação de quase metade do orçamento da União nos serviços públicos? Por que a senhora não fala de outras fontes de recurso? Se só houvesse como financiar a Educação destruindo toda a Amazônia e oficializando o trabalho escravo infantil, a senhora optaria por esta última? Então como aceitar que 2 ppm de CO2 sejam leiloados num único dia, como uma cota “generosa” do Brasil à catástrofe climática que se avizinha?
Quero energia elétrica para todos, educação para todos, quero respeito e direito para os indígenas, quero zelo pelo ambiente e medidas urgentes para proteger o sistema climático terrestre. Nada disso é (mutuamente) incompatível. Mas tudo isso é incompatível com os hiperlucros do agronegócio, empreiteiras, bancos e petroquímicas.
Portanto, pensemos quem de fato apaga a luz, todo santo dia. Quem apaga a luz da honestidade intelectual e sofre de um apagão mental típico de quem transmutou-se de guerrilheira e combatente contra a ditadura em serva desses setores?
Em tempo: Como diria Lenine (a quem talvez cite mais do que a Lenin), “o último a sair do breu, acenda a luz”. Mas eu entendo que a senhora prefira a companhia da Breu…

FONTE: https://www.facebook.com/alexandre.araujocosta/posts/753131631395398?fref=nf

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s